Exército Vermelho assume autoria dos atentados nos EUA

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Publicado terça-feira, 11 de setembro de 2001 as 18:59, por: cdb

Um interlocutor anônimo reivindicou no final da tarde desta terça-feira, em nome do Exército Vermelho, uma organização extremista japonesa, a série de atentados que atingiu os Estados Unidos “para vingar os mortos de Hiroshima e Nagasaki”, em uma ligação a uma revista jordaniana. “Um interlocutor anônimo, falando em árabe como estrangeiro, reivindicou em uma ligação telefônica a série de atentados nos Estados Unidos para vingar os mortos de Hiroshima e Nagasaki”, declarou o redator-chefe da revista nacionalista Al Wahdeh.

As cerimônias pelo 56º aniversário dos bombardeios de Hiroshima (oeste do Japão) e Nagasaki (leste) foram realizadas nos dias 6 e 9 de agosto, respectivamente. “Não deu mais explicações e desligou rapidamente”, declarou Fajri Kawar, um ex-deputado de tendência nacionalista e ex-presidente da Federação de Escritores jordanianos. “Levamos esta reivindicação a sério”, afirmou Kawar.

O Exército Vermelho japonês foi fundado em 1969 com a fusão de dois grupos radicais de esquerda. Ele estabeleceu vínculos com organizações extremistas no Oriente Médio, sobretudo com a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), e foi responsável por vários desvios de aviões e ataques contra embaixadas ocidentais.

A operação mais espetacular realizada no Oriente Médio ocorreu em 1972, quando um ataque com armas automáticas contra o aeroporto de Lod, em Tel Aviv, causou 24 mortos e 76 feridos. Seu autor, Okozo Okamoto, que atualmente tem 52 anos, mora no Líbano como refugiado político e é considerado um “heroi” da luta contra Israel.

Quatro membros do Exército Vermelho estabelecidos no vale Bekaa libanês foram expulsos pelo Líbano para o Japão em março de 2000. A polícia japonesa continua procurando seis membros da organização e no dia 8 de novembro de 2000 prendeu em Osaka a mulher considerada chefe do grupo, Fusako Shigenobu, uma mulher de 55 anos. Esta última comunicou no dia 25 de abril, da prisão, que sua organização no Oriente Médio havia sido “desmantelada” para começar uma nova forma de luta, sem dar mais detalhes.

De fato, a última vez que a organização teve grande repercussão na mídia foi em 1988, com a explosão de um carro-bomba em frente a um clube militar americano em Nápoles, no sul da Itália, que matou cinco pessoas. Desde então, o Exército Vermelho, que tinha 40 membros em seu apogeu, tentou se desvincular de Bekaa, seu forte libanês, segundo os especialistas. Quatro de seus membros foram presos nos últimos anos nas Filipinas, Romênia, Peru e Nepal.

No ano passado, os serviços japoneses de informação afirmaram que o Exército Vermelho não havia renunciado a suas ações militares. “De fato, pensamos que atuaria se estivesse em condições de fazê-lo”, declarou um responsável desses serviços.