Exército norte-americano bombardeia supostos esconderijos da resistência

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Publicado quarta-feira, 24 de dezembro de 2003 as 11:40, por: cdb

As tropas dos Estados Unidos atacaram nesta quarta-feira, com caça-bombardeios e helicópteros supostos esconderijos da resistência iraquiana no sul de Bagdá, depois da detenção de várias pessoas supostamente vinculadas com Izat Ibrahim Aduri, o homem mais procurado no Iraque e suposto instigador da resistencia.

Uma série de explosões, as mais intensas nas últimas semanas na capital, sacudiram as proximidades da zona industrial de al-Dura, onde se escutaram também trocas de disparos de armas automáticas.

A detonações começaram a ouvir-se a partir da meia-noite e continuaram até esta madrugada em al-Dura, palco no passado de ataques da resistência.

Um porta-voz militar americano afirmou hoje que na área “se escondem insurgentes que atuam contra as tropas” dos Estados Unidos, e assinalou que a nova campanha militar americana foi executada para evitar ações da resistência durante as festas natalinas.

A operação em al-Dura coincide com informações procedentes do norte do Iraque sobre a morte de pelo menos quatro pessoas na explosão de um atentado suicida com carro-bomba na cidade de Irbil no Curdistão.

Segundo fontes policiais, o ataque teve como alvo a sede do Ministério do Interior do Governo autônomo da região em Irbil, cidade controlada por milícias do Partido Democrático do Curdistão (KDP), que lidera Masud Barzani, um dos 25 membros do Conselho do Governo de Iraque (CGP), órgão sob controle de Washington.

Em Irbil se encontra a sede do governo autônomo eleito pelo KDP e a União Patriótica Curda (UPK), de Jalal Talbani, outro membro do CGP, depois da derrota do exército de Saddam Hussein na Guerra do Golfo Pérsico, de 1991.

Em Bagdá, outro cidadão iraquiano morreu e quatro ficaram feridos quando o microônibus no qual viajavam pisou uma mina.

Centenas de soldados americanos e policiais iraquianos, assim como civis acusados de colaborar com a coalizão ocupante, morreram em atentados da resistência desde a queda de Bagdá, no dia 9 de abril.

Os EUA anunciaram a detenção de centenas de iraquianos depois da captura há dez dias do deposto presidente iraquiano, Saddam Hussein.

As detenções aconteceram sobretudo no denominado “triângulo sunita”, que inclui as cidade de Faluja, Ramadi e Baquba, situada ao norte e oeste da capital.

Em Kirkuk, cerca de 250 quilômetros ao norte de Bagdá, fontes policiais informaram hoje mesmo da detenção de dezesseis pessoas supostamente vinculadas com o grupo fundamentalista Ansar al Islam, acusado de haver executado numerosos ataques contra as tropas de ocupação.

Entre os detidos esta semana figuram três fundamentalistas islâmicos supostamente relacionados com Ibrahim Aduri, o número dois do antigo regime e o único de seus principais dignatários que contínua em liberdade.

As tropas americanas acusam Aduri de organizar as ações da resistência, atribuídas por Washington a grupos leais a Saddam e a mercenários árabes.

Aduri era vice-presidente do Conselho do Comando da Revolução -máxima instância de poder do deposto regime-, e foi um dos primeiros companheiros de Saddam Hussein nas fileiras do agora dissolvido Partido Baath, de ideologia nacionalista árabe.

Dias antes da invasão anglo-americana do Iraque, no dia 20 de março, Saddam Hussein nomeou Aduri responsável das forças de defesa no norte do Iraque