Executivo francês culpa e-mails por estresse de funcionários

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Publicado sexta-feira, 25 de setembro de 2009 as 11:31, por: cdb

Um importante executivo da maior empresa francesa de telecomunicações, que vem enfrentando uma série de suicídios, alertou que o dilúvio de e-mails recebidos em celulares inteligentes e computadores pessoais estava causando estresse aos funcionários.

Embora Gervais Pellissier, o vice-presidente de finanças da France Telecom, não tenha imputado às mensagens de e-mail que chegam sem parar a culpa pelos suicídios, ele afirmou que os funcionários de todas as grandes empresas estão sob mais pressão na era do BlackBerry.

– Hoje, para as pessoas trabalhando no mundo dos negócios, não importa em que nível, quer se trate de presidentes ou de funcionários de primeiro e até segundo escalão, a conexão é permanente –, ele disse.

A France Telecom, que opera sob a marca Orange, está sofrendo escrutínio público porque 22 de seus funcionários cometeram suicídio e outros 13 tentaram se matar, do começo de 2008 para cá.

Pellissier disse que alguns funcionários estavam claramente se sentindo muito pressionados devido à privatização da companhia, mas acrescentou que isso era agravado por novas tecnologias que fazem com que o trabalho interfira cada vez mais na vida pessoal.

– O funcionário médio de uma grande empresa 15 anos atrás não tinha celular ou computador em casa. Quando a pessoa ia para a casa, deixava o trabalho para trás –, ele disse.

O popular BlackBerry, da Research in Motion, recebeu o apelido de CrackBerry nos Estados Unidos, onde alguns usuários dizem que são viciados em verificar e-mails.

Pellissier disse que essas práticas podem estar causando mais efeitos adversos sobre os funcionários do que sua empresa e outras reconhecem.

Como resultado, um funcionário frágil e em dificuldades provavelmente sofreria mais confusão, “com maior mistura entre a vida pessoal e a profissional do que no passado”.

– Isso é provavelmente algo que não consideramos, e não apenas na France Telecom; é mais uma questão social mundial, o impacto das novas maneiras de trabalhar sobre o comportamento pessoal –, disse Pellissier.