Executivo da Enron vendeu ações para pagar dívidas

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Publicado segunda-feira, 21 de janeiro de 2002 as 23:24, por: cdb

O presidente da Enron, empresa energética que pediu falência em 2 de dezembro, Ken Lay, vendeu suas ações da companhia em vários meses do ano passado não porque estava preocupado com o futuro do grupo, mas porque precisava de dinheiro para pagar dívidas. A justificativa foi dada pelo advogado do executivo, Earl Silbert. Lay e outros dirigentes da Enron vendiam suas ações ao mesmo tempo que incentivavam investidores e funcionários a comprá-las. Existem suspeitas de que eles já sabiam que a empresa ia mal e os papéis perderiam valor.

Segundo Silbert afirmou ao The New York Times, Lay precisava pagar US$ 5 milhões de um empréstimo que a empresa lhe havia concedido e não teve nenhuma relação com a crise do grupo. O jornal informou que o executivo vendeu ações em pelo menos 15 ocasiões tendo lucrado US$ 21 milhões. Lay deixou de se desfazer das ações em julho, quando os papéis da Enron tinham perdido metade do valor. “Deixou de vender porque achava que elas iam subir”, disse Silbert.

Funcionários da Enron têm dito que um e-mail de Lay, transmitido em 26 de setembro, os convidada a investir nas ações da empresa, destacando que seria “um negócio incrível”. Ele garantiu que a empresa, nessa época a sétima maior dos Estados Unidos, ia multiplicar-se 800 vezes em 10 anos.

Silbert também disse que Lay vai testemunhar no Congresso em 4 de fevereiro, mas não especificou em qual das 10 comissões que investigam a falência da Enron, a maior da história americana.

A Comissão de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados marcou para quinta-feira uma audiência com a presença de vários envolvidos no caso. Entre eles, o auditor da Arthur Andersen que destruiu documentos referentes à contabilidade da empresa, David Ducan, e o presidente da firma e auditoria, Joseph Berardino. Não está claro se Duncan, demitido na semana passada, prestará o depoimento voluntariamente.

“Temos dito que estamos preparados para citar judicialmente toda testemunha que se recusar a prestar esclarecimentos”, afirmou o porta-voz da comissão, Ken Johnson. “Estamos muito interessados em saber aonde chegou a Andersen em sua investigação interna sobre a Enron e queremos examinar as ações administrativas e disciplinárias tomadas logo após a revelação do que documentos foram destruídos.”

Johnson informou também que várias pessoas procuraram a comissão procurando proteção contra acusações em troca de depoimentos. “Não oferecemos isso a ninguém e não estamos considerando essa hipótese.”