Ex-presidente americano condena ataque unilateral dos EUA contra Iraque

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Publicado domingo, 9 de março de 2003 as 11:14, por: cdb

O ex-presidente norte-americano e vencedor do Prêmio Nobel da Paz Jimmy Carter condenou neste domingo as preparações para um ataque unilateral dos Estados Unidos contra o Iraque, argumentando que seria uma guerra injusta, “quase sem precedentes na história das nações civilizadas”.

Em artigo publicado no jornal “The New York Times”, Carter afirmou que mudanças profundas na política externa dos EUA reverteram “compromissos bipartidários (…) que por mais de dois séculos levaram à grandeza de nossa nação”.

Carter, que foi presidente entre 1977 e 1981, afirmou que, durante seu mandato, foi “seriamente provocado por crises internacionais”.

“Tornei-me bastante familiarizado com os princípios de uma guerra justa, e está claro que um ataque substancialmente unilateral ao Iraque não se encaixa nestes padrões”, escreveu.

Crise

O atual presidente norte-americano, George W. Bush, tem enfrentado uma crescente oposição internacional por causa de sua política externa. Ele já afirmou que não permitirá que a falta de apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) o impeça de destituir o presidente Saddam Hussein.

Bush acusa Saddam de possuir armas de destruição em massa e apoiar o terrorismo. Na sexta-feira, o chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, disse que nenhuma prova dessas acusações foi encontrada a ponto de justificar hoje uma ação militar.

Ainda assim, Estados Unidos, Reino Unido e Espanha apresentaram uma nova proposta de resolução ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Por ela, o Iraque deve apresentar o total desarmamento até o dia 17 deste mês, correndo o risco de sofrer uma invasão militar.

Para entrar em vigor, a proposta precisa ser aprovada pela maioria dos 15 países que formam o conselho e não ser vetada por qualquer um dos cinco membros permanentes. Porém, França, Rússia e China, três países com poder de veto, são contrários à guerra.