Ex-ministro Paulo Bernardo é preso em desdobramento da Lava Jato

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Publicado quinta-feira, 23 de junho de 2016 as 10:40, por: cdb

A PF cumpre no total na operação desta quinta 11 mandados de prisão preventiva, 40 de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva

Por Redação, com Reuters – de São Paulo:

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira o ex-ministro Paulo Bernardo, que ocupou cargos do primeiro escalão nos governos Lula e Dilma, em um desmembramento da operação Lava Jato. Bernardo recebeu mais de 7 milhões de reais de um esquema de desvio de recursos que funcionava dentro do Ministério do Planejamento, e continuou como beneficiário mesmo após ter deixado o comando da pasta e assumido o Ministério das Comunicações, disse o MP.

Paulo Bernardo
Paulo Bernardo ocupou cargos do primeiro escalão nos governos Lula e Dilma Rousseff

Além de prender Bernardo em Brasília, a PF cumpre operação de busca na casa do ex-ministro e de sua mulher, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), em Curitiba, e também no diretório nacional do PT em São Paulo, de acordo com a fonte.

Em comunicado, a Polícia Federal informou que cumpre no total na operação desta quinta 11 mandados de prisão preventiva, 40 de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva, mas não divulgou os nomes dos suspeitos. Segundo a fonte, o ex-ministro Carlos Gabas (Previdência) é um dos alvos de condução coercitiva.

A operação Custo Brasil foi deflagrada, segundo o comunicado, para apurar o pagamento de propina proveniente de contratos de R$ 100 milhões a pessoas ligadas a funcionários e agentes públicos vinculados ao Ministério do Planejamento.

“Há indícios de que o MPOG (Ministério do Planejamento) direcionou a contratação de uma empresa de prestação de serviços de tecnologia e informática para a gestão do crédito consignado na folha de pagamento de funcionários públicos federais com bancos privados, interessados na concessão de crédito consignado”, disse a PF no comunicado.

“Segundo apurou-se, 70% dos valores recebidos por essa empresa eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos com influência no MPOG por meio de outros contratos – fictícios ou simulados”, acrescentou.

Separadamente, Bernardo, que também foi ministro das Comunicações no governo da presidente afastada Dilma Rousseff, e Gleisei foram indiciados em março por acusação de corrupção por suposto envolvimento em um esquema de financiamento de campanha descoberto em 2014. Eles negaram qualquer irregularidade.

Jornalista

O diretor do site Brasil 247, Leonardo Attucha foi levado para depor na sede da Polícia Federal em São Paulo. Além do ato relacionado ao profissional da imprensa, agentes da PF cumprem outros 64 mandados judiciais. Attuch foi citado pelo lobista Milton Pascowitch em delação premiada. O delator acusou a Editora 247 (comandada pelo jornalista) de receber R$ 120 mil como incentivo para apoiar editorialmente o PT.

Defesa

Em nota, advogados do ex-ministro informaram que o “Ministério do Planejamento se limitou a fazer um acordo de cooperação técnica com associações de entidades bancárias, notadamente a ABBC e SINAPP, não havendo qualquer tipo de contrato público, tampouco dispêndios por parte do órgão público federal. Ainda assim, dentro do Ministério do Planejamento, a responsabilidade pelo acordo de cooperação técnica era da Secretaria de Recursos Humanos e, por não envolver gastos, a questão sequer passou pelo aval do Ministro.”

“Não bastasse isso, o inquérito instaurado para apurar a questão há quase um ano não contou com qualquer diligência, mesmo tendo o Ministro se colocado à disposição por diversas vezes tanto em juízo como no Ministério Público e Polícia Federal. A defesa não teve acesso à decisão ainda, mas adianta que a prisão é ilegal, pois não preenche os requisitos autorizadores e assim que conhecermos os fundamentos do decreto prisional tomaremos as medidas cabíveis”, diz o comunicado, assinado por Verônica Sterman e Rodrigo Mudrovitsch.

Confira nota da Editora 247

Na manhã desta quinta-feira 23, o jornalista Leonardo Attuch, editor responsável do Brasil 247, foi convidado a prestar depoimento no âmbito da Operação Custo Brasil, um desdobramento da Operação Lava Jato.

A Editora 247 considera esta uma boa oportunidade para esclarecer quaisquer dúvidas relacionadas a sua atividade empresarial e jornalística.

Não procede a informação divulgada de que o jornalista é alvo de mandado de condução coercitiva. Ele foi convidado a prestar depoimento judicial, o que será atendido de forma voluntária e espontânea.

As solicitações da Polícia Federal estão todas sendo atendidas de forma voluntária. No caso da Editora 247, a dúvida diz respeito a um contrato realizado com a empresa Jamp Engenheiros Associados, que será plenamente esclarecido.

Atualizado às 14h44