Ex-diretor do BC acredita que real está sobrevalorizado

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Publicado terça-feira, 6 de janeiro de 2004 as 09:34, por: cdb

Ex-economista do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, atualmente professor do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec), acredita que a valorização do real em relação ao dólar é um problema sério para o incremento das exportações brasileiras para esta ano. Ele aponta para as altas taxas de juros em vigor e para a sinalização dada pelo do BC de que pretende reduzi-los bem parcimoniosamente nos próximos meses.

– Acho que o nosso Banco Central exagerou um pouco ao falar esse tipo de coisa. Não se deve falar isso -, disse Freitas em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News.
Ele acrescentou que o País não deve correr novamente o risco de deixar o real se valorizar excessivamente em relação à moeda americana. “Isso é bom hoje, mas não será bom daqui a um ano. E a solução é o Banco Central realmente derrubar mais as taxas de juros, ser mais rápido no gatilho e não esperar 25 dias para fazê-lo.” 

Segundo o  economista, a queda do risco Brasil e do dólar é um claro sinal para que o BC reduza os juros mais rapidamente, e não ficar na expectativa de novos sinais da economia. Para Freitas, a valorização do real está muito ligada aos investimentos externos na Bovespa. “O dólar bom é o que entra e fica para investimentos diretos. O dólar ruim afasta o dólar bom, só que o dólar bom só vai entrar quando o dólar estiver em níveis superiores aos que estão aí.” 

Para Freitas,o BC deveria entrar no mercado para recomprar, rapidamente, a dívida pública indexada à moeda americana, ou então baixar os juros, também rapidamente, para não ficar sem alternativas, a não ser que decida recorrer ao controle de capitais, “o que não faz sentido hoje”. E explicou: “O grande ponto é que, hoje, o Banco Central americano (o Federal Reserve) é quem dita a política monetária de todos os países. Isso quer dizer o seguinte: o juro (do Fed) vai ficar baixo por um longo tempo, enquanto que nós fizemos o contrário, os juros vão cair devagar. Então, é a arbitragem do capital.”

Ele concluiu dizendo que se o BC esperar muito para baixar a taxa Selic, a economia não reagirá de forma mais positiva, a dívida pública aumentará e o “dólar ruim” continuará entrando em demasia. “E o pior: a volta é muito pior, ou seja, o dólar vai voltar a subir daqui a alguns meses. Nós não podemos, no Brasil, nos dar ao luxo de ter um dólar muito barato. Este ano nós vamos ter um saldo bom na balança comercial, mas para o próximo ano (2005) é uma dúvida. Se o dólar continuar como está, o saldo vai cair.”