Ex-detento que se reintegrou à sociedade pede oportunidade para outros presos

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Publicado quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012 as 13:02, por: cdb


Foto: ElzaFiúza/ABr

A experiência de vida do coordenador da Secretaria Nacional de Promoçãodos Direitos da Criança e do Adolescente, Hélio Veneroso Castro, foi lembradanesta sexta-feira, 24 de fevereiro, na cerimônia de assinatura de convênioentre a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Fundaçãode Amparo ao Trabalhador Preso do Distrito Federal (Funap), para reinserção dedetentos no mercado de trabalho. Ele pediu, na ocasião, oportunidades para osque estão presos hoje, mas querem mudar de vida.

Em 1997, aos 36 anos, Castro foi condenado a mais de dez anos de prisãopor tráfico de drogas. Disposto a mudar de vida, tão logo passou do regimefechado para o de liberdade condicional, em 2003, procurou o DepartamentoPenitenciário do Distrito Federal em busca de uma nova oportunidade. Emsetembro daquele ano, ele foi encaminhado à Secretaria de Direitos Humanos epôde voltar a estudar graças a um convênio da Funap com a Universidade Católicade Brasília. Formou-se em direito, ganhou a confiança de seus superiores e foimelhorando de posição na secretaria. Três anos depois, Castro foi efetivadocomo funcionário terceirizado.

Antes de assumir o atual cargo, que é de livre nomeação, Castro tevetoda a sua vida investigada pela Casa Civil e, em outras condições, poderia tersido impedido de ocupar o posto. No entanto, explica o secretário de Gestão daPolítica de Direitos Humanos, Gleisson Rubin, as regras burocráticas não seaplicam a quem tenha passado pelo programa de ressocialização. “Ao contrário deser um elemento impeditivo, isso [passagem pela prisão] é colocado como umfator a ser observado com mais atenção, já que ele vem em uma trajetória.”

“Eu sempre trabalhei, mas houve um momento na vida em que me desviei. Naprisão, vi que aquilo não era vida para mim e que o ilícito que eu cometi nãotinha valido a pena. A partir daí, minha trajetória foi de trabalho eestudos”, lembrou Castro.

Ele disse que muitas pessoas que hoje cumprem penas também estãodispostas a procurar um novo rumo para suas vidas, mas faltam oportunidades eainda há muito preconceito na sociedade. Isso reduz as chances dos que estãopresos, pois são pessoas que ficam rotuladas, acrescentou Castro. Com base emsua própria trajetória, ele fez um apelo aos que podem ajudar: “dêem umaoportunidade a essas pessoas, abram-lhe as portas”.