Ex-amante de ACM denuncia perseguição e grampos telefônicos

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Publicado sábado, 15 de fevereiro de 2003 as 21:15, por: cdb

Matéria publicada na revista Veja desta semana reproduz o martírio denunciado pela ex-namorada do senador Antonio Carlos Magalhães, a advogada Adriana Barreto, de 30 anos, e o marido dela, Placido Faria, 40, com quem se casou após encerrar um romance com ACM. Os grampos na Bahia atingiram cerca de 200 linhas telefônicas por mais de cinco meses.

– Tive um romance de alguns anos com o senador. Depois do rompimento, eu, meu atual marido e pessoas próximas ao meu marido passamos a sofrer todo tipo de perseguição e intimidação – revelou Adriana à revista.

Plácido também alega perseguições, que inclusive lhe tiraram clientes do escritório onde advogava. “ACM grampeou nossos telefones, vigiava nossos passos e tentou acabar com minha carreira. Ele transformou nossa vida num inferno”, disse à Veja.

O casal conta que os problemas começaram logo após o casamento. Clientes de Plácido teriam sido ameaçados para deixá-lo. Até a hospedagem em um SPA foi impedida. O dono do estabelecimento teria dito que sofreria uma devassa fiscal, caso os recebesse como hóspedes.

Na reportagem, o marido de Adriana Barreto adimite que chegou a pensar em matar ACM, no auge de seu desespero, e comprou um revólver. Foi dissuadido por seus familiares.

Para se certificar que estava com seus telefones grampeados, Plácido forjou um diálogo comprometedor para ver o que acontecia. A conversa virou uma maldosa nota no jornal Correio da Bahia, de propriedade de ACM. O advogado inventou um convite para posar numa revista gay.

As perseguições, segundo o casal, passaram até por blitz da PM e espionagem da própria empregada, que teria sido paga por ACM para vigiá-los. A própria empregada acabou servindo de garotas de recado, e disse à Adriana que “ele mandou dizer que Plácido não é homem para a senhora”.

Hoje, segundo a revista, ela trabalha como secretária no gabinete que Antonio Carlos Magalhães Junior no Correio da Bahia.

O grampo na Bahia também pegou desafetos políticos de ACM, como o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB) e Nelson Pellegrino, do PT, além do ex-deputado Benito Gama.

O caso veio à tona com a denúncia de Geddel. O deputado levou documentos de uma companhia telefônica e da Justiça provando que seu número estava realmente grampeado.

A lista total, que chega a 200 números, foi revelada na semana passada pelo jornal baiano A Tarde. A lista já está com o ministro Márcio Thomaz Bastos, da Justiça.

Há pedidos para que uma CPI também entre no caso, o que poderá se concretizar caso as investigações da PF não andem. Mas as bases do governo já se movimentam. O deputado Luiz Antonio Fleury (PMDB/SP) foi nomeado para acompanhar, na Bahia, o andamento das investigações.

Os problemas fizeram com que Adriana Barreto engordasse 27 quilos. Ela também perdeu cabelos e teve problemas hormonais. Já Plácido, ex-promotor público e do quadro do Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil, contou à revista que ficou tão arrasado que recorreu a tratamentos de saúde alternativos.