Evo comemora segundo ano de governo com promessa de reforma agrária

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Publicado quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 as 11:37, por: cdb

Presidente da Bolívia, Evo Morales fez na terça-feira um balanço de seus dois primeiros anos de mandato, salientando a “revolução democrática e cultural” que promove. No discurso, o socialista e primeiro indígena a presidir o país vizinho, fez vista-grossa para as disputas com províncias que pretendem a autonomia perante o país. Evo disse ao Congresso, no segundo aniversário da sua posse, que ele cumpriu promessas importantes de campanha, ao nacionalizar o setor energético e convocar uma Assembléia Constituinte destinada a dar mais poderes à maioria indígena.

Mas quatro dos nove Departamentos do país reagiram à reforma constitucional – aprovada pela bancada governista durante um boicote da oposição, em dezembro – e declararam autonomia, entrando em atrito com o governo central. O presidente não falou diretamente do conflito, mas disse que as reformas são irreversíveis.

– Não há volta no caminho que iniciamos há dois anos. O passado não pode se repetir. Há espaço para todos nesta revolução. E só se estivermos unidos podemos fazer as profundas mudanças que o povo deseja – disse Morales no discurso, que foi televisionado.

O presidente boliviano venceu a eleição de dezembro de 2005 com 54% dos votos, melhor resultado de qualquer presidente desde 1982, quando foi restaurada a democracia no país mais pobre da América do Sul. Agitando as coloridíssimas bandeiras dos indígenas aimarás e tocando instrumentos de sopro, militantes do partido de Morales lotaram uma importante praça de La Paz para saudar o presidente em seu trajeto de meio quarteirão entre o Palácio Quemado, sede da Presidência, e o edifício do Congresso.

Em várias horas de pronunciamento, Morales falou de praticamente tudo – de alfabetização a helicópteros militares e a importância da criação das vicunhas em certas comunidades do Altiplano. Ele reiterou o compromisso do governo com uma “revolução agrária”, que tiraria terras improdutivas de grandes latifundiários para distribuí-las a camponeses pobres.