Evento reúne índios , extrativistas e recicladores

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Publicado sábado, 29 de novembro de 2003 as 15:19, por: cdb

“O lixo de alguns pode ser a riqueza de outros.” Essa frase dita por um menino de 13 anos, Telson Ramos, do Maranhão, consegue sintetizar o sentido da Feira de Produtos e Negócios Sustentáveis, que está sendo realizada  neste sábado, na Conferência Nacional do Meio Ambiente, em Brasília.

O aproveitamento de recursos alternativos, como sucata, papelão, capim e sementes para produção de esculturas, colares, cestas artesanais, entre outros objetos, é o ponto alto da exposição que trouxe Telson e outros três colegas de São Luiz (MA) para participarem da exposição. Telson, junto com os amigos da 6ª série, pretende mostrar que é possível fazer brinquedos populares com o uso de papelão e embalagens de refrigerantes.

 -Tudo o que é jogado fora pode ser reutilizado- explica Telson.

Cento e cinqüenta expositores participam da mostra, entre eles, índios das etnias pataxó, gavião, ebaré, furiô e guajajara, povos de Pernambuco, Bahia, Amazonas e Pará. Dez índios pataxós vieram preparados para dançar o “parexó”, celebração feita em ocasiões especiais, mas a dança não foi possível. Segundo a índia Airy – nome que em tupi significa palmeira -, a falta de organização da conferência acabou prejudicando o grupo. “Por isso não vamos mais dançar”, disse. A queixa perde espaço para a satisfação quando Airy fala da aceitação dos produtos expostos. O grupo trouxe gamelas, colares, brincos e cerâmica marajoara: “o pessoal tem gostado muito do nosso material”, relata.

Criado em 1990, o “Movimento das Quebradeiras de Coco de Babaçu” também veio a Brasília participar da exposição. O movimento representa 309 mil quebradeiras de coco do Pará, Piauí, Maranhão e Tocantins. “Foi a forma que encontramos para defender as palmeiras”, explica Ângela Maria de Sousa, de 21 anos. Moradora do Lago dos Rodrigues (MA), Ângela quebrou coco até os 12 anos de idade: “é um trabalho duro, a coluna dói bastante. O movimento trouxe a lei para nos ajudar”, observa.

O artesanato para alguns significa todo o sustento para viver. É o que relata Silvana Tavares da Silva, de 20 anos. Silvana faz parte da Associação Capim Dourado, que reúne 25 famílias em Jalapão, no Tocantins. “Minha avó de 75 anos nos ensinou a fazer, e todos vivemos do que ganhamos com o material que produzimos”. O trabalho é delicado: uma cesta de capim dourado pode levar até quatro dias para ficar pronta. Quando o capim está seco, é hora de produzir, tomando o cuidado de preservar as sementes para o ano seguinte.