Europa deixa EUA escolher sucessor no Banco Mundial

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Publicado terça-feira, 8 de maio de 2007 as 11:07, por: cdb

As principais potências européias no Banco Mundial ofereceram aos Estados Unidos a possibilidade de escolher livremente um novo presidente da instituição em troca da pronta saída do atual, Paul Wolfowitz, informou o jornal The New York Times.

Os europeus renunciariam assim a suas intenções de acabar com a tradição pela qual, desde a criação do Banco, em 1944, os EUA elegem o presidente da instituição financeira, encarregada de promover o desenvolvimento. Em troca, os europeus elegem o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo o NYT, os europeus pretendem conseguir o apoio americano e forçar a renúncia de Wolfowitz. A sua saída evitaria um conflito no conselho do órgão, no caso de uma previsível votação para punir o atual presidente.

Uma comissão de investigação concluiu no fim de semana que Wolfowitz era culpado de incompatibilidades na gestão da transferência de sua namorada, Shaha Riza. Funcionária do banco, ela foi enviada ao Departamento de Estado americano em 2005, quando Wolfowitz passou a comandar a instituição.

Um “alto funcionário europeu” citado pelo New York Times, mas cujo nome não foi revelado, disse que o dano à credibilidade de Wolfowitz “não tem remédio”.

Um acordo facilitaria uma saída da situação atual, já que os EUA têm uma participação de 16,4% na instituição. A fatia européia soma quase o dobro, mas os europeus nem sempre entram em acordo na hora de votar.

Em princípio, Wolfowitz conta com o apoio dos EUA, Japão e Canadá, que somam menos de 30% dos votos do conselho de administração. Entre os demais membros, só os africanos mostraram alguma vontade de apoiar o presidente.