Euclides Fagundes Neves: queda da Selic e de juros é positiva

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Publicado quinta-feira, 19 de abril de 2012 as 08:35, por: cdb

Apesar de ter muita gordura para queimar, a queda da Selic em 0,75% e o fato de os bancos privados acompanharem a tendência de queda da taxa juros puxada pelos bancos públicos são fatos bastante positivos.

Por Euclides Fagundes Neves*

Nos últimos anos, pela primeira vez o governo implementou uma política correta, utilizando os bancos públicos para interferir positivamente no sentido de diminuir as taxas de juros. Este papel deveria ser acionado constantemente para garantir planos de desenvolvimentos mais ousados para o crescimento do nosso país.

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 O Estado não pode ser refém de banqueiros e nem do grande capital. A presidente Dilma deverá continuar implementando a política no sentido de intervir nos juros, já que eles, aqui no Brasil, continuam sendo o segundo maior do mundo. A diminuição das taxas de juros é uma reivindicação antiga do movimento sindical.

Da mesma forma que interveio nos juros, a nossa governante deverá intervir na segurança bancária e da nossa sociedade, exigindo do sistema financeiro uma contrapartida, com maiores investimentos por parte dos bancos, já que eles são concessões públicas e é o segmento que tem a maior lucratividade há mais de 10 anos.

Para que os Planos de Aceleração do Crescimento (PAC) sejam implementados e dêem certo, é necessário que exista uma política consistente de garantias de investimentos duradouros. Não podemos concordar como o que ocorreu ano passado em que tivemos um crescimento de apenas 2,7%, que foi um reflexo do crescimento da Selic, que saiu de 8,75% em abril de 2010 para 12,50% em julho de 2011.

Em termos proporcionais, o Brasil é um dos países que mais transfere rendas, com pagamento de juros da dívida pública para os mais ricos. Somente em 2011 foram transferidos R$236,6 bilhões em formas de juros.

A atração de capital externo para o nosso país não pode ser o especulativo incentivado pelas altas taxas de juros! Os bancos públicos têm jogado um papel maior nas políticas de governo. Foi assim com a crise de 2008 onde o setor privado arrefeceu o crédito, esperando o desenrolar da crise, enquanto que os bancos públicos continuaram a emprestar. Agora, novamente eles jogam um papel importante no sentido de garantir o barateamento do crédito, mesmo que ainda seja acanhado. Tudo isso depende de política de governo!

Euclides Fagundes Neves é presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia

 

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