EUA vão consultar aliados sobre Coréia do Norte

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Publicado sexta-feira, 18 de abril de 2003 as 16:52, por: cdb

Os Estados Unidos vão consultar o Japão, a Coréia do Sul e a China antes de tomar qualquer decisão a respeito da declaração feita pela Coréia do Norte de que iniciou o reprocessamento de bastões de combustível radioativo usado. A medida tornaria o país capaz de produzir armas nucleares.

“Quando tivermos uma percepção clara dos fatos e as visões de nossos amigos e aliados, nós tomaremos uma decisão sobre como proceder,” disse a porta-voz da Casa Branca, Claire Buchan, a repórteres.

Ela disse que uma decisão final sobre a participação dos Estados Unidos nas negociações com a China e a Coréia do Norte seria tomada após as consultas.

Mais cedo, uma autoridade norte-americana havia dito que não via razão para que os Estados Unidos não comparecessem às negociações com a China e a Coréia do Norte, marcadas para a semana que vem em Pequim para a discussão do término do programa nuclear norte-coreano.

“Não temos nenhuma informação que indique que a Coréia do Norte iniciou o reprocessamento”, disse a autoridade norte-americana, que pediu anonimato. Ao ser indagado sobre a participação na reunião em Pequim, ele disse: “Não vejo nada que indique o contrário.”

A Coréia do Norte tornou o impasse nuclear com os EUA drasticamente mais delicado ao afirmar que estaria “reprocessando com sucesso” mais de 8.000 bastões de combustível nuclear usado, que podem ser usados em bombas atômicas.

Os Estados Unidos advertiram várias vezes a Coréia do Norte sobre o reprocessamento, que poderia representar material suficiente para múltiplas bombas atômicas. Em 25 de fevereiro, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, disse a jornalistas: “Se eles começarem o reprocessamento, isso muda completamente o cenário político.”

Apenas alguns dias antes de que o diálogo formal com a Coréia do Sul comece, o ministro de Relações Exteriores da Coréia do Norte disse que a guerra dos EUA contra o Iraque havia mostrado a Pyongyang que “é necessário ter uma poderosa força física dissuasiva”.

A Coréia do Norte iniciou a crise nuclear em outubro, quando autoridades dos EUA disseram que Pyongyang havia admitido que estava levando a cabo um programa nuclear clandestino, em violação de acordos internacionais.

Os dois lados aparentemente tomaram os primeiros passos para resolver o impasse na semana passada, com Pyongyang abandonando sua exigência por negociações bilaterais com Washington e os EUA concordando com a participação nas negociações em Pequim.