EUA testaram arma química contra pobres e negros norte-americanos

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Publicado terça-feira, 23 de outubro de 2012 as 11:22, por: cdb

EUA testaram arma química contra pobres e negros norte-americanos

Pesquisadora afirma, em estudo, que militares pulverizaram compostos químicos sobre a cidade de Saint Louis

Por: Ópera Mundi

Publicado em 23/10/2012, 13:15

Última atualização às 13:15

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São Paulo – Soba alegação de que estavam testando um escudo contra ataquesnucleares soviéticos na cidade de Saint Louis, militaresnorte-americanos pulverizaram sobre a população local compostosempregados na fabricação de armas químicas. É o que revela umestudo conduzido por Lisa Martino-Taylor, professora de sociologia daFaculdade Comunitária de Saint Louis que vasculhou documentospúblicos e que verificou casos de envenenamento por sulfeto decádmio e zinco durante as décadas de 1950 e 1960.

Leiaa íntegra do estudo aqui (em inglês)

Segundoo estudo, as Forças Armadas dos EUA patrocinaram os testesespecificamente em áreas socialmente segregadas, de elevadadensidade populacional, onde a predominância era de cidadãos negrose de baixo poder aquisitivo. Em entrevista ao jornal local KSDK, elase disse “muito chocada com o grau de falsidade e sigilo” dasautoridades responsáveis pelas operações. “Eles claramente seesforçaram ao máximo para enganar as pessoas”, concluiu.

Ostestes de armas químicas sobre humanos teriam sido produto do queLisa chama de Coalizão Manhattan-Rochester, um programa de pesquisasdo governo norte-americano que tentou mensurar no contexto da GuerraFria o impacto de reações radioativas no organismo humano.Experimentos semelhantes também teriam ocorrido na cidade de CorpusChristi, estado do Texas.

Amaior parte dos compostos tóxicos era despejada por meio de aviõesdurante voos rasantes sobre os alvos. No entanto, Lisa alega quepulverisadores também eram posicionados no alto de arranha-céus etorres meteorológicas da região. Em 1953, foram ao todo 16 testes –não menos que 35 disparos de sulfeto de zinco e cádmio em SaintLouis. A vizinhança mais afetada é descrita por Lisa como “umafavela densamente povoada”, onde residiam cerca de 10 mil cidadãosde renda baixa, em sua maioria crianças.

Esclarecimentos

Surpresoscom os resultados obtidos por Lisa, parlamentares estaduais pediramesclarecimentos às Forças Armadas nesta segunda-feira (22/10). “Aideia de que milhares de cidadãos do Missouri foram expostos amateriais tóxicos contra a própria vontade para determinar seusefeitos sobre a saúde é absolutamente chocante. Não deveria sersurpresa que estas pessoas e suas famílias estejam exigindorespostas dos oficiais do governo”, disse à AP o senadorestadual republicano Roy Blunt.

Ademocrata Claire McCaskill, coelga de Blunt, também pediu maioresesclarecimentos ao secretário do Exército, John McHugh.”Tantoo Senado quanto a Câmara dos Comuns conduziram investigações aolongo dos anos 1990, mas nada nunca foi concluído, explica LisaMartino-Taylor. Para ela, o pior erro foi “jamais ter procuradoaqueles que realmente foram afetados”.

Radioatividade

Apesquisa não foi capaz de concluir com precisão se realmente haviacompostos radioativos em meio à mistura de sulfeto de cádmio ezinco. Em sua entrevista ao jornal KSDK, Lisa diz que “há váriasevidências de que houve compostos radiológicos envolvidos noexperimento”.

Suahipótese principal é de que a esta mistura foram adicionadaspartículas fluorescentes, utilizadas para “iluminar” os alvos eidentificá-los para outros testes. Há suspeita de que uma companhiachamada US Radium esteve envolvida com esta parte do experimento.”USradium já havia sido legalmente responsabilizada por produzir umatinta radioativa que matou diversas pintoras de azulejosradioativos”, alega.

Questionadasobre os futuros passos de sua pesquisa, ela revela que o importantefoi ter revelado “que tudo isso foi uma violação de toda aética médica, de todos os códigos internacionais e até mesmo detodo o regimento militar da época”.