EUA tentam reunir liderança iraquiana contra Saddam

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003 as 16:20, por: cdb

As autoridades americanas de inteligência identificaram mais de 2,000 membros da elite iraquiana, incluindo-se aqueles que serão capturados e julgados como criminosos de guerra, e muitos outros que os militares americanos tentarão convencer a agir contra Saddam Hussein durante uma invasão. As informações foram confirmadas por fontes oficiais do governo americano na terça-feira.

A base de dados divide a liderança iraquiana em três categorias: os aliados linha-dura de Saddam; autoridades de comando cuja lealdade é incerta, mas estariam inclinados a cooperar com as forças americanas; e outro grupo de pessoas que, segundo se acredita, opõe-se secretamente ao governo ou cuja especialidade técnica é julgada crucial para um governo pós-Saddam.

O presidente Bush provavelmente pensava em alguns desses líderes quando afirmou aos repórteres que os generais iraquianos deveriam “compreender que se eles eliminarem as vidas de inocentes, se eles destruírem a infra-estrutura, eles serão julgados como criminosos de guerra”.

Mas nem todos os comandantes de Saddam enfrentam a possibilidade de um tratamento tão duro.

“Se eles impedirem o uso das armas de destruição em massa ou se eles entregarem suas tropas sem combate, isso mitigaria uma punição”, afirmou uma alta autoridade do governo na terça-feira.

A lista foi reunida por agências e departamentos do governo, incluindo-se a CIA, o Pentágono e o Departamento de Justiça. As altas autoridades reconheceram que a idéia de identificar a liderança de um país potencialmente hostil não era uma novidade. Mas eles descreveram o trabalho no Iraque como o mais abrangente de seu tipo, que supera o trabalho da inteligência americana para identificar os líderes do Taleban durante a guerra no Afeganistão ou a análise sobre a liderança política e militar em Belgrado durante a guerra em Kosovo.

A advertência de Bush, em conjunto com os comentários de outras autoridades do governo, compõe um esforço americano para encorajar atos que minem a autoridade de Saddam, perturbem seu ciclo de liderança e talvez até convençam o líder iraquiano a deixar o país. O exílio do líder iraquiano é uma opção que o secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld novamente levantou na terça-feira em Washington e que Condoleezza Rice, assessora nacional de segurança, mencionou na Casa Branca na segunda-feira.

Para este fim, a discussão pública sobre novos dados da inteligência poderia motivar aqueles membros da liderança iraquiana que não estão no círculo imediato de Saddam a contemplar a cooperação com os militares americanos.