EUA temem que milícias xiitas possam agravar confronto no Iraque

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Publicado terça-feira, 19 de maio de 2015 as 10:07, por: cdb
Sunitas desabrigados fugindo de Ramadi para Bagdá
Sunitas desabrigados fugindo de Ramadi para Bagdá

 

O uso de milícias xiitas para tentar retomar o controle da cidade iraquiana de Ramadi das mãos do Estado Islâmico pode desencadear mais derramamento de sangue por motivos sectários, disseram algumas autoridades atuais e antigas dos Estados Unidos, mas Washington e Bagdá parecem ter poucas opções.

A perspectiva de milícias apoiadas pelos iranianos liderarem os esforços para a retomada de Ramadi demonstra as parcas opções de Washington para derrotar o Estado Islâmico no Iraque, com a fraca posição do primeiro-ministro Haider al-Abadi no poder, um Exército nacional ainda sendo estruturado e o Irã cada vez mais assertivo.

A tomada de Ramadi pelo Estado Islâmico, apesar de meses de assessoria militar e ataques aéreos liderados pelos EUA, representou uma nova baixa para o esfacelado Exército iraquiano, que no fim de semana se retirou da cidade de modo caótico.

Abadi imediatamente se voltou para as milícias xiitas, que com o apoio do Irã se tornaram a mais poderosa força militar no Iraque desde que o Exército nacional desmoronou pela primeira vez em junho de 2014, diante do rápido avanço do Estado Islâmico. Uma coluna de 3.000 milicianos xiitas chegou na segunda-feira a uma base militar perto de Ramadi, capital de Anbar, província de maioria sunita que tem sido central na oposição ao governo xiita do Iraque.

Uma autoridade dos EUA, falando sob condição de anonimato, descreveu Ramadi como “um barril de pólvora” e disse que qualquer uso das milícias “tem que ser tratado com muita, muita delicadeza”. “Existe o potencial de que isso pode acabar muito, muito mal”, disse o funcionário.

Autoridades dos EUA disseram que o governo está profundamente dividido sobre o envolvimento das milícias xiitas com ligações com o Irã, um rival norte-americana que tem expandido sua influência por todo o Oriente Médio. Depois de liderar no mês passado a retomada de Tikrit, cidade sunita, alguns combatentes xiitas entraram numa farra de pilhagem, incêndios e violência, segundo os moradores locais.

Ataques aéreos

Operações aéreas lideradas pela Arábia Saudita atingiram a capital do Iêmen, Sanaa, durante a madrugada, tendo como alvo forças leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh no leste e no sul da cidade, disseram moradores nesta terça-feira.

Os ataques foram os primeiros a atingir a capital após um cessar-fogo de cinco dias que terminou no domingo, mas as operações militares haviam sido retomadas na segunda-feira na província de Saada, no norte, e na cidade de Áden, no sul.

A Arábia Saudita e seus aliados muçulmanos sunitas têm realizado uma ofensiva contra os rebeldes houthis, aliados do Irã, e tropas leais a Saleh há mais de sete semanas, como parte de uma campanha para restaurar o presidente exilado Abd-Rabbu Mansour Hadi no poder.

A trégua terminou apesar de apelos da ONU e de grupos de ajuda humanitária por um tempo extra para permitir a entrada de suprimentos no país de 25 milhões de pessoas, um dos mais pobres do Oriente Médio.

Fontes houthis também disseram ter disparado tiros de morteiro em várias áreas da província saudita de Najran, no sul, na noite de segunda-feira, e que entraram em confronto com forças sauditas perto da fronteira.

A equipe de reportagem da agência inglesa de notícias Reuters não pôde verificar de imediato as informações.