EUA se preparam para guerra química em seu território

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Publicado sexta-feira, 28 de setembro de 2001 as 11:24, por: cdb

Os atentados terroristas do dia 11 de setembro em Nova York e Washington levaram as agências federais dos Estados Unidos a se prepararem para a possibilidade de um ataque com armas químicas e biológicas.

Nenhuma ação do tipo foi registrada ainda, mas o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), em Atlanta, na Geórgia, colocou sua rede de autoridades de saúde em alerta.

Um ataque químico causaria sintomas como irritações nos olhos e nos pulmões. As substâncias químicas normalmente não se propagam muito além das áreas onde foram liberadas. Mas especialistas dizem que as armas biológicas seriam de mais difícil detecção.

“Um evento biológico é muito diferente”, disse o doutor Henry Siegelson, do Disaster Planning International. “É um processo de efeito retardado. O paciente pode nem saber que foi exposto ao germe”.

Seria necessário um médico atento para perceber os sinais de um ataque do bioterror. E alguns agentes biológicos são contagiosos – significando que as vítimas poderiam infectar outras antes de serem postas em quarentena.

Um desses exemplos é a varíola, que foi declarada erradicada em 1980, após uma campanha de saúde pública internacional realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O vírus ainda é mantido vivo em laboratórios dos Estados Unidos e da Rússia. Os argumentos sobre a destruição de todas as amostras, no entanto, têm sido contrapostos aos benefícios de mais pesquisas sobre a doença. Mas alguns cientistas temem que o vírus seja usado em armas biológicas.

Especialistas afirmam que não existem nos Estados Unidos padrões ou diretrizes nacionais para os hospitais sobre como reagir a um ataque químico ou biológico. Uma pesquisa recente com 186 hospitais, em quatro estados do noroeste do país, descobriu que menos de 20 por cento possuíam planos de resposta a incidentes desse tipo.

Menos de um terço dos entrevistados tinha antídoto suficiente à disposição para tratar 50 pacientes expostos a substâncias químicas; metade tinha um estoque para dois dias de antibióticos em caso de um ataque biológico.

O programa de estoque farmacêutico nacional, supervisionado pelo CDC, pode distribuir rapidamente remédios, antídotos e equipamentos. Mas suprimentos de vacinas, como as para a varíola, são limitados.

“O governo norte-americano fechou recentemente um contrato para o desenvolvimento e a produção de uma grande quantidade de vacinas contra a varíola”, disse Samuel Watson, do Biomedical Security Institute.

O contrato estabelece a produção de mais 40 milhões de doses da vacina, que é tão poderosa que pode imunizar a pessoa em algumas horas. Mas o lote não ficará pronto antes de 2004.

“Estamos muito dependentes dos médicos dos setores de emergência para detectar se algo estranho está acontecendo”, disse o doutor D.A. Henderson, diretor do Johns Hopkins Center for Civilian Biodefense Studies, em Baltimore, Maryland.

Henderson, que dirigiu o programa da OMS que erradicou a varíola, teme que os hospitais possam não ter capacidade para reagir.

“Ao longo dos anos, nós conseguimos ficar mais economicamente eficientes nos hospitais. Nós fechamos muitos deles, o que significa que existem menos postos de atendimento de emergência”, lembrou.

Os hospitais estão um pouco mais bem preparados para ataques químicos. De acordo com Siegelson, não seria difícil se equipar para tais situações.