EUA resiste a proposta conciliatória do Canadá para o Iraque

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Publicado quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003 as 17:52, por: cdb

Os Estados Unidos rechaçaram hoje uma proposta conciliatória apresentada pelo Canadá que estabelecia uma data limite no final de março para o Iraque cumprir com as exigências de desarmamento da ONU.

Depois de o secretário de Estado Colin Powell ter conversado por telefone com seu colega canadense Bill Graham, o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, disse que a proposta “apenas adia uma decisão que todos nós devemos estar preparados para tomar”.

Boucher lembrou que outros governos tentaram anteriormente estabelecer um ultimato para o Iraque. Mas, segundo ele, enquanto isso, “temos ouvido dos inspetores de novo, de novo e de novo” que o Iraque não aceita o total desarmamento.

Mais cedo, o presidente George W. Bush chamou Saddam Hussein de “um mestre da dissimulação e da protelação”, e ridicularizou a revelação do presidente iraquiano de algumas armas que anteriormente ele havia se negado a admitir que dispunha em seu arsenal.

Num dia em que a Casa Branca ameaçou levar Saddam a um tribunal como criminoso de guerra no evento de uma guerra, Bush advertiu: “O perigo em relação ao Iraque é que ele pode atacar seus vizinhos e o perigo é que ele tem a vontade e a capacidade de treinar organizações do tipo da Al-Qaeda e oferecer a elas equipamentos que firam os americanos”.

Saddam “será desarmado de um jeito ou de outro”, declarou o presidente.

Entretanto, ao falar pouco antes na Latino Coalition, Bush não chegou a repetir acusações anteriores de um vínculo entre o Iraque e a Al-Qaeda. Mas ele disse que “o mundo tem esperado por muito tempo pelo desarmamento do senhor Saddam”.

Depois, Bush recebeu na Casa Branca o presidente Geidar Aliev, do Azerbaidjão – um país a 400 km a noroeste do Iraque que tem apoiado a posição americana na crise com o Iraque.

Bush deve fazer um discurso na noite de hoje no American Enterprise Institute, um think tank conservador de Washington de onde saíram muitos de seus assessores.

A expectativa era de que ele defenderá que Saddam é uma ameaça para o povo iraquiano e sua derrubada tornará o Oriente Médio – inclusive o volátil conflito israelense-palestino – mais estável.

Bush também deve falar sobre as perspectivas de uma democracia num Iraque pós-Saddam e os planos dos EUA para atender às necessidades humanitárias causadas por uma possível guerra, adiantou o porta-voz Ari Fleischer.

Oferecendo ao Congresso e ao povo americano algumas previsões sobre os preparativos para a guerra e o pós-guerra, um alto general do Exército afirmou na noite de terça-feira que uma força de ocupação poderia chegar a centenas de milhares de soldados.

O general Eric K. Shinseki, falando ao Comitê dos Serviços Armados do Senado, advertiu que a força de ocupação tem de ser suficientemente grande para manter a segurança num país com “tensões étnicas que podem levar a outros problemas”.

Por isso, “a assistência de amigos e aliados seria útil”, explicou.