EUA reiteram comprometimento com Afeganistão

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Publicado sexta-feira, 9 de maio de 2003 as 18:30, por: cdb

O vice-secretário de Estado Richard L. Armitage fez uma curta parada no Afeganistão, na sexta-feira, a caminho do Paquistão e da Índia, para passar uma mensagem pessoal da Casa Branca, dizendo que os Estados Unidos não esqueceriam o Afeganistão.

“O presidente Bush me pediu para vir ao Afeganistão para deixar clara a posição dos Estados Unidos, embora possamos estar ocupados no momento com o Iraque, não esqueceremos nossas responsabilidades no Afeganistão”, disse Armitage em entrevista coletiva na capital, nesta sexta-feira.

“Somos capazes de fazer duas coisas ao mesmo tempo”, disse ele, acrescentando que o apoio americano entraria por meio do desenvolvimento político, econômico e social do país.

Armitage, em observações que sucederam uma visita, semana passada, ao Afeganistão do secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld, disse que estava reafirmando o comprometimento do governo de ajudar na estabilidade e na reconstrução.

Depois de reunir-se com o presidente Hamid Karzai e com o ministro das relações exteriores Abdullah, Armitage visitou o Museu Nacional, que estava vazio, em Kabul e entregou um cheque de US$ 100 mil ao ministro da cultura. Nos últimos 20 anos, o museu sofreu ataques de mísseis, saques e destruição deliberada de artefatos por fanáticos do Taleban.

Armitage também disse que Bush exigiu pessoalmente que o projeto para construir a principal estrada nacional entre Kabul e Khandahar, que está sendo financiada pelos Estados Unidos e pelo Japão, fosse terminado no fim deste ano, seis meses depois do planejado.

A mensagem de Armitage foi muito parecida com a declaração de Rumsfeld na semana passada, que combate operações que foram aproximadas do fim e de que o Afeganistão estava entrando em uma nova fase de estabilização e reconstrução.

Apesar disso, a segurança interna do Afeganistão dominou esta visita. Em conversas no Paquistão, na quinta-feira, Armitage levantou o problema dos líderes do Taleban, que estão abrigados no Paquistão, e estão atacando forças americanas e afegãs no Afeganistão. Preocupados com suas próprias forças, os Estados Unidos também se preocupam com a fragilidade do governo Karzai, que podem não sobreviver a um aumento dramático da violência.

O enviado especial da ONU no Afeganistão, Lakhdar Brahimi, fez um forte apelo por mais ajuda e por mais responsáveis pela manutenção da paz no Afeganistão em um relato ao Conselho de Segurança em Nova York esta semana. Todo o processo de paz no Afeganistão está em perigo devido à deterioração da segurança no país, disse ele ao Conselho.

Armitage disse que a administração Bush havia tomado nota do relato de Brahimi, mas tinha visões diferentes em relação a como melhorar a segurança. Ele disse que o posicionamento estratégico de grupos de assuntos civis do exército americano, conhecidos como times de reconstrução provincial, foi um modo efetivo de aumentar a segurança e a autoridade do governo central nas regiões. Três times foram posicionados até agora e mais estão planejados. Os times foram criticados por grupos de auxílio como inadequados e mal-focados.

Armitage assegurou ao povo afegão que os Estados Unidos “não tinham data certa” para retirar seus 10 mil soldados.

“Os Estados Unidos irão retirar suas forças quando tivermos certeza que o governo do Afeganistão se sente perfeitamente seguro e que o povo do país tenha descoberto a estabilidade necessária”, disse ele.