EUA querem guerra e vetam fiscalização

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Publicado sexta-feira, 20 de setembro de 2002 as 12:17, por: cdb

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, afirmou que os Estados Unidos bloquearão qualquer tentativa das Nações Unidas de enviar inspetores de armas ao Iraque sem que o Conselho de Segurança da organização mundial aprove uma nova resolução sobre a questão.

Powell fez o alerta a despeito de a comissão de inspetores da ONU ter definido preliminarmente o dia 15 de outubro como a data para o embarque de uma equipe avançada a Bagdad.

O chefe da comissão de inspetores de armas da ONU, Hans Blix, disse que esperava dispor de uma equipe no Iraque “o mais rápido possível”, a fim de rever locais que “consideramos interessantes”.

Powell ressaltou que qualquer resolução nova por parte da ONU tem que deixar claro que, em caso de o trabalho dos inspetores de armas ser obstruído, o governo iraquiano sofrerá “conseqüências duras”.

“Não vamos jogar com eles. Não vamos sentar e debater ou discutir com eles. Sob a nova resolução, se o Iraque tentar frustrar a missão, os inspetores virão embora”, acrescentou.

O secretário fez os comentários ao defender, na Comissão de Relações Internacionais da Câmara dos Representantes a proposta de resolução enviada pelo presidente George W. Bush ao Congresso, em que o chefe de Estado pede poderes de guerra para lidar com o Iraque caso necessário.

“A guerra deve ser sempre o último recurso. Mas quando decidimos por travar uma guerra, é preciso fazê-lo de forma decisiva e de uma forma que cumpra seus objetivos políticos”, disse.

Bush, ao conversar com jornalistas sobre a resolução enviada ao Congresso, avisou que, se a ONU não agir, os Estados Unidos e seus “amigos” terão que atacar o Iraque.

“Eu – e nem o mundo livre – confio no Iraque. Durante 11 anos, eles decepcionaram o mundo”, alegou.

“Devemos isso aos nossos filhos e aos nossos avós: garantir que o ditador no Iraque jamais ameace o nosso país, ou nossos filhos ou os filhos de nossos filhos, com as piores armas do mundo”, concluiu.