EUA pressionam Europa em relação aos transgênicos

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Publicado sexta-feira, 10 de janeiro de 2003 as 23:33, por: cdb

Na quinta-feira, a principal autoridade comercial do governo Bush anunciou que estava considerando recorrer à OMC contra a União Européia, em virtude da proibição européia aos alimentos transgênicos, afirmando que a posição “imoral” européia estava impulsionando a fome e a miséria no mundo em desenvolvimento.

A autoridade, Robert B. Zoellick, representante comercial dos EUA, afirmou que quando as nações africanas recusaram os alimentos transgênicos americanos em 2002, eles estavam agindo sob a influência da posição européia.

“As políticas anticientíficas européias estão se espalhando pelo mundo”, Zoellick afirmou aos repórteres, acrescentando que os líderes africanos que evitavam “os alimentos que você e eu comemos” estavam deixando seus povos entregues à fome.

“Eu acredito que este é um desenvolvimento sério”, Zoellick afirmou. “Eu acredito que é imoral as pessoas não receberem alimentos na África porque alguns inventaram perigos sobre a biotecnologia”.

As autoridades européias desconsideraram as afirmações de Zoellick, afirmando que eles nunca encorajaram as nações africanas a rejeitar ajuda.

Ainda, Pascal Lamy, negociador-chefe de comércio da Comissão Européia, afirmou que se Zoellick recorresse à organização comercial com tal questão, isso somente complicaria o plano da Europa em levantar a proibição contra os transgênicos, que deveria ocorrer na primavera (no hemisfério norte).

Quando isso ocorrer, os produtos testados e julgados seguros poderão entrar no mercado europeu – com selos identificando-os como geneticamente modificados. Os EUA não requerem tais selos.

Tony Van der haegen, o especialista em segurança alimentar da delegação da União Européia em Washington, indicou que ‘em uma democracia você deve considerar os temores das pessoas, e muitos europeus estão preocupados com os alimentos geneticamente modificados”.

Por vários anos os consumidores europeus questionaram a segurança dos alimentos transgênicos. Os jornais britânicos criaram uma expressão para eles, os “Frankenfoods”, refletindo a profunda suspeita sobre produtos como milho e soja quando geneticamente modificados para ampliar a resistência contra as doenças. Tais modificações, muitos temem, pode ter várias conseqüências para a saúde humana.

No último mês de agosto, a disputa sobre a biotecnologia causou uma crise em Zâmbia, que rejeitou os transgênicos dos EUA apesar da fome generalizada no país.