EUA possuem planos para promover a democracia no Iraque

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Publicado segunda-feira, 6 de janeiro de 2003 as 10:58, por: cdb

A equipe de segurança nacional do presidente Bush está finalizando os detalhes para os planos de administração e democratização do Iraque, que seriam implementados após a queda de Saddam Hussein. Aqueles planos pediriam a sólida presença militar americana no país por ao menos 18 meses, julgamentos militares apenas para os líderes iraquianos mais importantes e a retomada imediata da produção de petróleo, que sustentaria os custos da reconstrução.

As propostas, conforme indicaram os representantes do governo envolvidos há vários meses com esta tarefa, vêm sendo discutida informalmente com Bush. Os planos seriam o esforço americano mais ambicioso para administrar um país desde a ocupação da Alemanha e do Japão após a Segunda Guerra Mundial.

Muitos detalhes dos planos são altamente secretos e ainda estão sendo debatidos. Mas as linhas gerais da iniciativa americana demonstram a enorme complexidade da tarefa, que seria iniciada após o afastamento de Saddam do poder.

Porém, as autoridades do governo envolvidas com estes planos advertiram que independentemente do que já foi discutido, muitas decisões cruciais necessitariam ser tomadas no Iraque. Até o momento, eles vêm se concentrando nos precedentes legais – incluindo-se a análise da base legal para assumir o controle do Iraque – e no estudo dos sucessos e fracassos do passado na reconstrução de nações, incluindo-se a administração americana nas Filipinas após a Guerra Hispano-Americana.

Os planos apresentados a Bush incluirão várias contingências que, segundo as autoridades, dependem primordialmente de como Saddam deixará o poder.

“Muitas decisões dependem do próprio conflito, se houver um conflito, e como será iniciado e encerrado este conflito”, afirmou um dos assessores do Bush.

As decisões também dependeriam da recepção que as tropas americanas receberiam no Iraque, e a CIA vem reunindo cenários que incluem a ocupação hostil e a ocupação pacífica do país.

Mas em todas as possibilidades, os militares americanos, por algum tempo, permaneceriam como o fator principal na administração do Iraque. O Pentágono advertiu que ao menos um ano de trabalho será necessário para se garantir que todos os arsenais de Saddam sejam destruídos.

Notavelmente, a descrição do governo de suas metas inclui estes dois objetivos: “preservar o Iraque como um Estado unitário, com sua integridade territorial intacta” e “evitar a intervenção externa, militar ou não-militar, que não tenha utilidade”, que seria aparentemente uma advertência aos países vizinhos.

As autoridades do governo insistem que as forças militares americanas somente permaneceriam o tempo necessário no Iraque.

“Eu não creio que estamos falando em meses”, afirmou um dos principais assessores de Bush sobre a ocupação. “Mas eu também não creio que estamos falando em muitos anos”.