EUA planejam construir armas nucleares

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 19 de fevereiro de 2003 as 12:30, por: cdb

Os Estados Unidos confirmaram a autenticidade de um documento que revela planos americanos de desenvolver uma nova geração de armas nucleares – pequenas, mas suficientemente poderosas para pulverizar bunkers subterrâneos e depósitos de armas químicas e biológicas.

As informações, obtidas pela organização antinuclear americana Grupo de Estudos Los Alamos (Gels), foram registradas nas minutas de uma reunião entre oficiais do Pentágono e cientistas nucleares dos Estados Unidos, em janeiro.

O encontro em um quartel do Comando Estratégico do país foi confirmado pela Administração Nacional de Segurança Nuclear americana (NNSA, na sigla em inglês), que afastou a realização imediata de testes.

“Nós não recebemos qualquer pedido do Departamento de Defesa para nenhuma nova arma nuclear, nem temos planos de realizar testes nucleares”, explicou a diretora de assuntos governamentais da NNSA, Anson Franklin, em entrevista ao diário britânico The Guardian.

Longo prazo

“O fato é que este documento fala de cenários conjecturais e planos de muito longo prazo”, completou Franklin.

Os planos, ainda que não sejam imediatos, significariam um afastamento dos Estados Unidos de tratados de controle de armas nucleares, bem como a suspensão da moratória sobre testes nucleares.

Essa possibilidade, de acordo com o Gels, minaria a manutenção desses acordos internacionais.

A revelação das novas pretensões nucleares americanas acontece no momento em que os Estados Unidos intensificam as pressões sobre a Coréia do Norte – que anunciou recentemente a retomada do seu programa de desenvolvimento de energia nuclear.

De acordo com as minutas da reunião vazadas para o Gels, os americanos planejam desenvolver ogivas de baixa potência, com menos de um quiloton, que poderiam ser produzidas através de ajustes de bombas que já existem.

Em outras palavras, seriam bombas com maiores possibilidades de uso, já que não causariam devastação generalizada como a das ogivas nucleares atuais.

Outra possibilidade discutida pelo Pentágono são as armas de penetração subterrânea, que escavariam a terra antes de explodir.

O documento menciona ainda armas de radiação concentrada: versões das bombas de nêutrons, originalmente criadas para exterminar pessoas, adaptadas para pulverizar arsenais químicos ou biológicos.

A principal preocupação dos americanos, segundo as minutas da reunião, seria fazer modificações em quaisquer tipos de armas para transformá-los em instrumentos capazes de destruir arsenais nucleares, químicos ou biológicos.

Recentemente, os Estados Unidos também anunciaram intenções de voltar a desenvolver formas de utilização da energia atômica para possibilitar viagens espaciais mais longas.