EUA: o mundo não precisa de mais inspeções

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003 as 20:46, por: cdb

Os EUA afirmaram hoje, sexta-feira, que o que o mundo precisa neste momento “não são mais inspeções” mas que o Iraque “cumpra imediata, ativa, plena e incondicionalmente” a resolução 1441 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, disse que “a democracia não tem que ter medo de assumir suas responsabilidades” e embora tenha expressado satisfação com o fato de o acesso dos inspetores ter melhorado, disse que isso não é suficiente nem substancial.

Powell acrescentou que nesta situação, “por mais reticentes que possamos ser”, o Conselho de Segurança terá que considerar “em um futuro muito próximo que chegou o momento de avaliar as sérias conseqüências previstas na resolução 1441”.

“Mais inspeções, desculpe, mas não é a resposta”, afirmou o secretário de Estado, que denunciou que os inspetores “continuam sendo vigiados e espionados”, por isso não podem realizar um trabalho totalmente confiável.

Powell reconheceu que o acesso dos especialistas de armas da ONU às instalações militares e civis iraquianas “melhorou”, mas considerou que esta evolução “não é mais que parte de um processo”, que não contribui com nada “substancial”.

“Até o dia de hoje não vimos o nível de cooperação que esperávamos”, disse o secretário de Estado, reiterando que “não se pode permitir que o Iraque prolongue o processo das inspeções indefinidamente”.

Powell disse ainda que a resolução 1441, aprovada em 8 de novembro, “não é sobre as inspeções, mas sobre o desarmamento do Iraque”, e acusou o Governo de Bagdá de montar “armadilhas” para a comunidade internacional para eludir suas obrigações.

Assim se referiu ao decreto emitido hoje pelo líder iraquiano, Saddam Hussein, que proíbe no país a produção e o armazenamento de armas de destruição em massa.

Powell perguntou se “alguém a esta altura pode acreditar que um decreto aprovado por Saddam Hussein chega a algum lugar, justamente no dia em que nos sentamos aqui para falar deste problema”.

Além disso, anunciou que apresentará nos próximos dias mais provas da ligação entre o regime de Bagdá e organizações terroristas, entre elas a Al Qaeda.