EUA mandam ultimato ao Afeganistão para a entrega de Osama bin Laden

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Publicado segunda-feira, 17 de setembro de 2001 as 08:43, por: cdb

Dois altos funcionários do governo do Paquistão, incluindo o chefe do serviço secreto, entregaram pessoalmente um ultimato ao ministro do Exterior talibã, Wakil Ahmed Mutawakel, nesta segunda-feira. O documento é claro: se a milícia que controla o Afeganistão não entregar Osama bin Laden em três dias, os Estados Unidos agirão militarmente.

“O tempo é curto e vocês têm que resolver este problema”, declarou o general Mahmud Ahmed, chefe dos serviços de inteligência paquistaneses.

Ahmed, que viajou acompanhado do ex-embaixador Aziz Khan, representante do ministério do Exterior paquistanês, ressaltou que todos os indícios sobre a origem do ataque terrorista contra Nova York e Washington apontam para o Afeganistão.

E assegurou: o Paquistão obedecerá às leis internacionais no que diz respeito ao terrorismo.

Mutawakel, por sua vez, respondeu aos enviados paquistaneses que o ultimato será levado à autoridade máxima do Afeganistão – provavelmente, o líder supremo do Talibã, o mulá Mohammed Omar.

Ao término do encontro na cidade de Kandahar, Ahmed e Khan dirigiram-se a um local desconhecido. Há rumores de que os dois visitariam o mulá Omar, que vive recluso em um endereço secreto.

Bin Laden, bilionário saudita que vive exilado no Afeganistão há vários anos, foi declarado nominalmente pelo presidente norte-americano George W. Bush como o principal suspeito pelos atentados da última terça-feira contra o World Trade Center e o Pentágono.

Rotulado como o inimigo número 1 dos Estados Unidos, bin Laden é responsabilizado também por atos terroristas anteriores contra alvos norte-americanos.

No domingo, bin Laden divulgou um comunicado negando que tenha planejado os ataques da semana passada.

“O governo dos Estados Unidos tem, consistentemente, me culpado de estar por trás cada vez que os inimigos o ataca”, afirmou o comunicado, lido na emissora de televisão árabe Al Jazeera.

“Gostaria de garantir ao mundo que não planejei os ataques recentes, que parecem ter sido planejados pelas pessoas por razões pessoais”, acrescentou.
Existe a expectativa de que, nos próximos dias, funcionários de diversas agências norte-americanas, como o Departamento de Estado e a CIA, o serviço secreto, viajem até o Paquistão para discutir, com autoridades locais, como o governo do general Pervez Musharraf pode cooperar com Washington.

Após anunciar “total cooperação” com os Estados Unidos na luta contra o terrorismo, o Paquistão deixou claro que pedirá uma recompensa pela ajuda. O governo de Musharraf já solicitou o cancelamento da dívida de 30 bilhões de dólares do Paquistão com os credores internacionais, além de um papel mais ativo dos Estados Unidos nos esforços visando à solução do conflito na Caxemira.

O Paquistão e a Índia disputam o controle total da Caxemira e já travaram duas guerras pela província localizada no Himalaia.

De acordo com fontes de Washington, o governo de Islamabad também teria avisado aos Estados Unidos que não quer a participação de israelenses e indianos em qualquer operação militar próxima às suas fronteiras.