EUA indicam fim do acordo de armas com a Coréia do Norte

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Publicado segunda-feira, 21 de outubro de 2002 as 09:33, por: cdb

O governo Bush decidiu anular o acordo de controle de armas de 1994 com a Coréia do Norte que fornecia auxílio da energia ocidental em troca da promessa norte-coreana de abandonar o desenvolvimento de armas nucleares, informaram autoridades no sábado.

A Coréia do Norte admitiu há duas semanas que estava mantendo um programa secreto de armas nucleares, e acusou os Estados Unidos de tomar medidas que forçaram Pyongyang para anular o acordo. A Casa Branca desde então discutiu a possibilidade do fim do acordo, com alguns alertando que tal medida poderia levar a Coréia do Norte a violações nucleares ainda maiores.

Por esse motivo, o governo planeja alertar a Coréia do Norte sobre graves conseqüências se tentar remover o material nuclear que está agora armazenado sob supervisão internacional em Yongbyon, o local do reator que foi o ponto central de um prévio impasse nuclear com a Coréia do Norte no início da década de 1990. Diplomatas dos EUA em visita a Pequim aparentemente pediram à China para dar esse aviso, embora não esteja claro se a mensagem ainda tem que ser passada aos norte-coreanos.

O efeito prático imediato da decisão de anular o acordo é o fim dos carregamentos anuais de 500 mil toneladas de petróleo dos Estados Unidos para a Coréia do Norte.

Mas o abandono do acordo também deve significar que os Estados Unidos vão estimular seus aliados Japão e Coréia do Norte a suspender, se não cancelar, um projeto multibilionário para fornecer usinas de energia nuclear modernas à Coréia do Norte.

A decisão do governo significa o início de um empenho dos Estados Unidos para apresentar uma dura escolha para a Coréia do Norte, entre abandonar todo o seu programa de armas nucleares e enfrentar o isolamento econômico quase total.

“Acho que o plano como era antes chegou ao fim”, declarou uma autoridade do governo quando questionada sobre a estratégia. “Os norte-coreanos já nos disseram que eles o viam como ‘anulado'”, acrescentou o oficial.

Outros oficiais descreveram um longo debate dentro da Casa Branca sobre os riscos de abandonar o acordo totalmente.

“Há alguns que temem que isso possa incitar uma rápida revolta dos norte-coreanos a produzir armas o mais rápido que puderem”, disse um oficial envolvido nas discussões. Mas o presidente Bush, que chegou à presidência profundamente desconfiado da inutilidade do acordo, concluiu que a afirmação norte-coreana prova que o acordo era fatalmente falho, afirmam seus auxiliares.