EUA ignora acordo sobre programa nuclear, diz Coréia do Norte

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Publicado segunda-feira, 5 de maio de 2003 as 16:27, por: cdb

O governo da Coréia do Norte acusou as autoridades americanas de ignorar a “corajosa proposta” de um acordo para encerrar o impasse sobre o programa nuclear norte-coreano.

O jornal Rodong Sinmun, controlado pelo partido do governo norte-coreano, afirmou nesta segunda-feira que, se os Estados Unidos não apresentarem uma resposta “positiva”, as autoridades americanas serão responsáveis pelo “fracasso de todos esforços de diálogo e por agravar seriamente a tensão da situação”.

No último domingo (4), o secretário de Estado americano, Colin Powell, descreveu os norte-coreanos como “mestres da ambigüidade”.

Em uma entrevista à rede americana de televisão NBC, Powell disse que os Estados Unidos não serão intimidados a dar o que a Coréia do Norte quer.

Oferta

Autoridades americanas afirmam que a Coréia do Norte ofereceu a suspensão de seu programa nuclear em troca de substanciais concessões econômicas e diplomáticas dos Estados Unidos.

– Armas nucleares não vão dar a eles qualquer apoio político que nos ameace ou nos faça acreditar que, de alguma forma, temos agora de entrar em sintonia com eles -, disse Powell ao comentar a proposta.

O governo americano disse que a Coréia do Norte admitiu, durante encontros com representantes dos Estados Unidos na China, em abril, que possui armas nucleares – informação não confirmada pelas autoridades norte-coreanas.

De acordo com o jornal The New York Times, a nova preocupação do presidente americano, George W. Bush, é impedir que a Coréia do Norte consiga vender material nuclear.

“Reconhecendo de maneira tácita que a Coréia do Norte não pode ser impedida de produzir plutônio para armas nucleares, o presidente Bush está tentando agora buscar apoio internacional para evitar que o país exporte material nuclear”, disse o jornal.

A crise entre Estados Unidos e Coréia do Norte começou em outubro, quando o governo americano acusou os norte-coreanos de possuir um programa secreto de armas nucleares.

As reuniões diplomáticas entre representantes dos dois países em Pequim foram os primeiros encontros entre importantes funcionários dos governos de Estados Unidos e Coréia do Norte desde o ínicio da crise.