EUA esperam do Brasil flexibilidade e vontade de salvar a Alca

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Publicado sexta-feira, 7 de novembro de 2003 as 10:40, por: cdb

Os Estados Unidos esperam que a reunião prevista para esta sexta-feira entre seu representante da área de Comércio, Robert Zoellick, e o chanceler brasileiro, Celso Amorim, co-presidentes das negociações envolvendo a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), aproxime posições e evite um eventual fracasso.

A reunião será no escritório de Zoellick, um dia antes da miniconferência sobre a Alca convocada pelo governo americano e que será realizada nos arredores de Washington, à qual assistirão 15 ministros dos 34 países americanos que participam do processo de negociação.

Zoellick se esforçará para eliminar as diferenças com Amorim, já que o pior que poderá acontecer na reunião ministerial de Miami, em novembro que vem, será o Brasil “decidir se retirar nas negociações”, disse à AFP um funcionário americano da área de comércio, que pediu para não ser identificado.

Ambos os países dizem ter vontade de negociar a Alca na data prevista, antes de 1º de janeiro de 2005, mas têm divergências sobre o tipo de acordo desejado. “Os Estados Unidos buscam uma área de livre comércio única, integrada, e não um simples reagrupamento de acordos bilaterais”, disse esta semana Peter Allgeier, vice-representante de Comércio americano. Também busca definir regras e disciplinas comuns para todos, para que a Alca não seja “apenas um exercício restrito de redução tarifária”, acrescentou.

Allgeier indicou que Washington busca ainda que o acordo inclua todos os temas negociados atualmente: acesso a mercados, agricultura, serviços, propriedade intelectual, política de competitividade, solução de controvérsias e investimentos. A Alca deve manter um nível de ambição o mais próximo possível do obtido nos Tratados de Livre Comércio (TLCs) assinados este ano pelos Estados Unidos com Chile e Cingapura, acrescentou, “mas com a flexibilidade necessária para discutir o tema dos subsídios e níveis de desenvolvimento de cada país”.

Os Estados Unidos não querem negociar as regras antidumping e uma parte do tema agrícola – a eliminação dos subsídios à produção – em outro fórum que não seja a Organização Mundial do Comércio (OMC).

“É importante, quando nos aproximamos da etapa final das negociações, que todos os negociadores tenham uma visão clara e comum do tipo de acordo que queremos no final do dia”, disse Allgeier. Esta será a prioridade do encontro de Miami, acrescentou.

“O melhor que pode acontecer é que seja negociada em Miami uma Alca em dois níveis: um mais ambicioso e de maior acesso ao mercado americano para aqueles dispostos a seguir conosco, e outro, menos ambicioso mas que ofereça menos, para o restante”, em que estaria incluído o Brasil, previu o funcionário americano que não quis se identificar. Segundo esta fonte, o Brasil ficou isolado do restante da região na última reunião da Alca, e conta apenas com o apoio da Argentina.

Os Estados Unidos aproveitaram o momento para aumentar a pressão sobre o restante dos países, e esta semana Allgeier prometeu acordos bilaterais simultâneos à negociação da Alca com aqueles que contribuírem com sua meta de liberalizar o comércio. O governo americano fechou este ano um TLC com o Chile, negocia outro com cinco países da América Central, notificou o Congresso de que deseja iniciar negociações com a República Dominicana, e tem na lista de espera Colômbia e Peru.

Participarão da miniconferência de sábado, além de Brasil e Estados Unidos, ministros da Argentina, Canadá, Colômbia, Chile, El Salvador, Jamaica, México, Panamá, Peru, República Dominicana, Trinidad e Tobago, e Uruguai.