EUA e China dialogam de modo construtivo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 1 de janeiro de 2004 as 12:06, por: cdb

Os Estados Unidos se mostraram satisfeitos com o rumo de seu diálogo “construtivo” com a China, durante o aniverário de 25 anos de normalização das relações diplomáticas, apesar dos atritos comerciais e em matéria de direitos humanos.

O 25º aniversário é celebrado no momento em que a agenda bilateral está dominada pelas tensões em torno do futuro da ilha “rebelde” de Taiwan, das diferenças comerciais e da situação dos direitos humanos na China, entre outros assuntos espinhosos.

No entanto, o Departamento de Estado americano considera que, se há 25 anos as relações começaram de forma cambaleante, agora as duas nações gozam de muita cooperação bilateral e de um diálogo “franco, construtivo e de grande alcance”.

Assim disse na quarta-feira, em sua última entrevista coletiva de 2003, o porta-voz do Departamento de Estado Adam Ereli, na qual o assunto China dominou boa parte do encontro com os jornalistas.

“Temos o tipo de relação na qual podemos trabalhar juntos, em temas ligados aos interesses regionais da paz e da estabilidade. Em outros assuntos em que mantemos diferenças temos uma relação na qual podemos abordar os problemas de forma construtiva”, declarou Ereli.

Um desses pontos foi a questão dos direitos humanos. O assunto se tornou urgente depois que o cidadão americano Benjamin Lan, detido na China em 14 de maio por suposta tentativa de subversão, foi condenado a três anos e meio de prisão.

Segundo Ereli, as autoridades do consulado americano visitaram o prisioneiro pela última vez no dia 17 de dezembro, quando ele se encontrava “em boas condições de saúde”.

Outro caso que despertou o interesse da comunidade internacional foi a detenção do dissidente Zhang Shengqui, que divulgou na internet artigos a favor da clandestina igreja cristã.

Por outro lado, Ereli confirmou a oposição de Washington às intenções independentistas de Taiwan, onde o presidente Chen Shui-bian sancionou na quarta-feira uma Lei de Referendo como um primeiro passo para a independência da província “rebelde”.

Essa lei não permite a convocação de um referendo de autodeterminação, mas contempla o “referendo defensivo”, uma ferramenta que a ilha criou para recorrer quando considerar que sua soberania estiver sendo ameaçada por uma força exterior, como, por exemplo, a China.

O referendo será realizado no dia 20 de março e coincidirá com as eleições presidenciais, o que o Governo de Pequim interpretou como um ato de provocação.

“Acreditamos que o diálogo (entre Taiwan e China) é a fórmula para a solução destes assuntos e continuamos defendendo esta posição junto às duas partes”, disse Ereli, depois de garantir que isso foi comunicado a Taiwan em público e em particular.

O porta-voz disse desconhecer os detalhes de uma missão taiuanesa que viajará a Washington, provavelmente na próxima semana, para discutir o assunto.

Os atritos na questão comercial e financeira foram parte da agenda do encontro entre o presidente George W. Bush e o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, no início de dezembro.

Os Estados Unidos mantêm um déficit comercial com a China de mais de 120 bilhões de dólares, o maior com qualquer país em toda a sua história.

Em meio a essa desvantagem comercial, os EUA anunciaram uma série de restrições à entrada de certos produtos chineses e tarifas para os televisores.

Bush pressiona a China, até agora sem sucesso, para que flexibilize seu sistema de câmbio e deixe flutuar livremente o iuan, uma vez que acredita que Pequim mantém sua moeda artificialmente baixa, em detrimento dos produtos americanos.

O assunto será abordado novamente em uma reunião bilateral em Pequim, informa a Casa Branca. Apesar dos atritos, Pequim e Washington apóiam um diálogo multilateral para a superação da crise nuclear na Coréia do Norte. Além disso, nos últimos dias, a China disse que estudará o pedido americano para o perdão à dívida iraquiana.