EUA devolverão ao Iêmen mísseis apreendidos em navio

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Publicado quinta-feira, 12 de dezembro de 2002 as 00:14, por: cdb

Os Estados Unidos permitirão que o Iêmen retome a posse de um carregamento de 15 mísseis Scud apreendido por forças espanholas e norte-americanas em um navio que havia zarpado da Coréia do Norte e trafegava pelo Oceano Índico.

O anúncio foi feito por autoridades iemenitas depois que o governo do país protestou contra a invasão do navio, afirmando que os mísseis haviam sido comprados por meios legais e teriam objetivo exclusivo de defesa.

O governo norte-americano reconheceu que não há qualquer lei internacional que autorize a apreensão de armas convencionais que não sejam consideradas proibidas pelos tratados em vigor.

Por outro lado, Washington também alegou não haver nada que proibisse explicitamente tal apreensão.

A operação, realizada na última segunda-feira e revelada no dia seguinte, deu origem a consultas urgentes entre autoridades norte-americanas e iemenitas.

No Pentágono, funcionários disseram que, antes da invasão do navio, autoridades do Iêmen haviam negado que o carregamento de armas lhe pertencesse.

Uma importante autoridade norte-americana disse, em entrevista à CNN na manhã desta quarta-feira, que os Estados Unidos estavam “99 por cento certos” de que o destino original do navio, sem bandeira, seria o Iêmen.

Os Estados Unidos defenderam a operação, classificando-a como coerente com a nova política do governo do presidente George W. Bush, que prevê a interdição de navios transportando armas capazes de provocar destruição em massa.

O governo iemenita divulgou uma nota de protesto formal pela apreensão do navio, encaminhada à embaixada norte-americana.

“O carregamento faz parte de contratos assinados há algum tempo”, disse a agência de notícias oficial Saba, citando o ministro das Relações Exteriores Abubakr al-Qaribi. “Ele pertence ao governo iemenita e a seu Exército e tem objetivos de defesa”.

A agência informou ainda que o chanceler havia convocado a chefia da missão diplomática norte-americana em Sanaa para apresentar um protesto formal.

“O ministro das Relações Exteriores ressaltou a importância da devolução do carregamento ao governo iemenita”, acrescentou.

EUA criticam Pyongyang
Horas antes, ao iniciar uma visita à China, o subsecretário de Estado norte-americano Richard Armitage havia declarado que a descoberta dos mísseis a bordo do navio, o So San, confirmava a suspeita dos Estados Unidos de que Pyongyang prolifera armas.

“Obviamente, as autoridades norte-americanas já suspeitavam disso há algum tempo”, afirmou.

“A Coréia do Norte, como a doutora (Condoleezza) Rice, a nossa assessora de Segurança Nacional, já disse em diversas ocasiões, é um dos países que mais proliferam armas e parece que eles estavam ocupados, proliferando de novo”, acrescentou o subsecretário.

A notícia sobre a interceptação veio à tona na noite de terça-feira, quando autoridades do Pentágono disseram que especialistas em armas encontraram mísseis Scud no cargueiro, que foi abordado pela Marinha espanhola, com apoio norte-americano, no Oceano Índico, a sudeste do Iêmen.

Nesta quarta-feira, o navio foi entregue a autoridades militares norte-americanas, que o estavam levando para a base naval de Diego Garcia, no Oceano Índico.

O governo espanhol informou que 15 mísseis Scud e 85 contêineres de produtos químicos não identificados foram encontrados a bordo da embarcação.

Os Scud são mísseis que o presidente iraquiano Saddam Hussein utilizou para atacar tanto a Arábia Saudita como Israel durante a Guerra do Golfo, em 1991.

O serviço de inteligência dos Estados Unidos estava monitorando o navio desde sua saída da Coréia do Norte, há alguns dias, com destino à região do Mar da Arábia, segundo as autoridades norte-americanas.

O cargueiro foi interceptado na segunda-feira por dois navios de guerra espanhóis, que patrulham essa região do Oceano Índico. A embarcação ainda tentou fugir, levando os barcos espanhóis a fazer disparos de advertência.

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