EUA devem enviar força de paz à Libéria

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 3 de julho de 2003 as 09:52, por: cdb

Os Estados Unidos devem anunciar nos próximos dias, talvez ainda nesta quinta-feira, se irão ou não enviar uma força de paz para a Libéria.

O país africano vive há três anos uma guerra civil. Os rebeldes, que vêm pedindo a renúncia do presidente Charles Taylor, se envolveram nos últimos dias em violentos combates com as tropas do governo na tentativa de tomar a capital do país, Monróvia.

Nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu que Taylor abandone o país para aumentar as chances de paz na Libéria.

Anteriormente, Bush já havia pedido que Taylor renunciasse ao cargo. O presidente liberiano está sendo julgado por crimes de guerra em um tribunal em Serra Leoa e pode ser preso se deixar a Libéria.

Ligações históricas

Segundo analistas, as autoridades no Pentágono não estão muito entusiasmadas com a idéia de enviar soldados para o país africano, mas reconhecem que os últimos desdobramentos no país levam a crer que isso irá ocorrer.

A Libéria é a mais antiga república africana e tem fortes ligações históricas com os Estados Unidos. Muitos dos fundadores do país eram escravos nos Estados Unidos, que decidiram voltar à África depois de libertados.

Segundo o correspondente da BBC no Pentágono, Nick Childs, cogita-se em Washington enviar um pequeno contingente de 500 a 2 mil soldados, que fariam parte de uma força de paz com a participação de soldados de outros países africanos.

Alguns países africanos já se disseram dispostos a colaborar com tropas, mas querem que os Estados Unidos liderem o grupo.

Outro correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, disse que, com um grande número de soldados americanos participando de operações no Afeganistão e no Iraque, e sem a perspectiva de que seus trabalhos acabem tão cedo, a Casa Branca está resistindo a idéia de autorizar o envio de tropas em uma nova missão.

Viagem

Dentro de alguns dias o presidente George W. Bush deve viajar para a África, o que aumenta a pressão para que ele anuncie o envio de tropas para a Libéria.

Muitos liberianos têm realizado manifestações em frente à embaixada americana na capital do país, Monróvia, e prometem iniciar uma greve de fome se os Estados Unidos não realizarem uma intervenção.

Agências de ajuda humanitária informam que estão tendo dificuldade em dar assistência às milhares de pessoas que ficaram feridas ou que tiveram que deixar suas casas durante os combates.

Cerca de 250 mil pessoas abandonaram Monróvia durante dois ataques de rebeldes neste mês, nos quais estima-se que cerca de 700 pessoas tenham morrido.