EUA desafiam Irã a não continuar enganando com armas nucleares

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Publicado segunda-feira, 28 de abril de 2003 as 16:06, por: cdb

Um alto funcionário do Governo americano desafiou nesta segunda-feira, em Genebra o Irã a finalizar sua política de “engano” em matéria de armamento nuclear e a revelar ao mundo o que possui.

O secretário-adjunto de Estado para a não-Proliferação, John S. Wolf, colocou no mesmo patamar a Coréia do Norte, Iraque e Irã, países que têm que “frear suas ambições” nucleares.

O Irã segue “o mesmo caminho de negação e engano que impediu as inspeções internacionais na Coréia do Norte e no Iraque”, declarou em um discurso no comitê preparatório da Conferência de Revisão do Tratado de Proliferação Nuclear, cujas reuniões começaram nesta segunda-feira em Genebra.

– Não é tranqüilizador que o Irã tenha demorado onze anos para considerar a convocação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aos Estados para que declarem suas novas instalações atômicas antes de começar sua construção. O Irã o fez apenas depois que outros revelaram sua existência -, denunciou.

Perguntado numa posterior entrevista coletiva por que os EUA não se opõem ao armamento nuclear que todo o mundo sabe que possui Israel, Wolf disse que esse país “não é membro do tratado de não-Proliferação Nuclear”, e portanto não viola o mesmo.

Os Estados Unidos apóiam uma zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio, mas essa solução deve ser o fim de um processo que permita a Israel “viver dentro de fronteiras seguras e reconhecidas por seu vizinhos”, afirmou Wolf.

No entanto, desprezou a proposta apresentada pela Síria em meados de abril no Conselho de Segurança de uma região desse tipo ao afirmar que “não basta um acordo de papel” ou uma “declaração retumbante” por parte de um país.

Wolf insistiu nesta segunda-feira que o Iraque de Saddam Hussein tinha um programa nuclear secreto apesar de não o ter utilizado contra as tropas ocupantes e de não ter aparecido até agora.

Disse que o caso da Coréia do Norte é diferente porque “é um país pobre” em uma área que os vizinhos querem o fim das armas nucleares.

– Estamos determinados a acabar com a ameaça nuclear norte-coreana com medidas pacíficas e diplomáticas -, disse também Wolf, que acrescentou que nas negociações multilaterais com a China e a Coréia do Norte em Pequim, na semana passada, deixou claro a este último país “nossa determinação de conseguir o desmantelamento controlável e irreversível” de seu programa nuclear.

Wolf não respondeu diretamente a pergunta sobre a insistência do Governo dos Estados Unidos insistir em não descartar o uso da arma nuclear se for necessário, enviando assim um sinal equivocado aos países que assinaram o tratado de não-Proliferação Nuclear.

– Não vamos sair pelo mundo ameaçando lançar armas nucleares nos países que não cooperarem conosco. Não somos um monstro nuclear -, disse o secretário de Estado adjunto, que acrescentou: “Temos além disso uma forte capacidade convencional”.

Em uma declaração por causa da reunião do comitê preparatório da conferência sobre o TNP, a organização ecologista Greenpeace,/i> denunciou a existência de uma política de “dois pesos e duas medidas” por parte dos Estados Unidos e das outras quatro potências nucleares oficiais.

O TNP obriga às cinco potências nucleares a se desfazerem de seus próprios arsenais desse tipo, embora sem fixar um prazo concreto, enquanto os Estados que não possuem esse tipo de armas se comprometem à partir do momento da assinartura a não adquirí-las nunca.

A maior parte dos países – 182 dos 187 signatários- mantiveram sua palavra, “e é portanto hora de começar o desarmamento nuclear também nos EUA, Reino Unido, Rússia, China e França”, afirma ,i>Greenpeace em um comunicado.