EUA aumentam ofensiva e crianças voltam às aulas

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Publicado sábado, 2 de outubro de 2004 as 10:39, por: cdb

 Forças norte-americanas e iraquianas aumentaram seu cerco à cidade de Samarra neste sábado, pressionando com uma das maiores ofensivas desde a queda de Saddam Hussein para tentar obter de volta o controle da cidade rebelde.

Enquanto isso, em Bagdá, crianças tiveram o primeiro dia de aula depois de quase dois anos. Segundo autoridades iraquianas, cerca de seis milhões de menores foram matriculados pelos pais em Bagdá e outras cidades iraquianas dominadas pelo governo provisório.

Em Samarra não há aula devido à ofensiva dos EUA. Um médico de um hospital da cidade, localizada 100 quilômetros ao Norte de Bagdá, às margens do rio Tigre, disse que mais cinco corpos tinham sido trazidos durante a noite e que 20 feridos foram atendidos no local. Não está claro se estas pessoas eram civis ou rebeldes.

Mais de oitenta corpos foram trazidos na sexta-feira. Outros foram deixados nas ruas, uma vez que os trabalhadores da área de saúde estão muito ocupados para recolhê-los. Moradores dizem que aviões norte-americanos bombardearam partes da cidade durante a noite e tanques patrulharam a cidade por mais de 24 horas após a ofensiva, liderada por cerca de 5.000 soldados norte-americanos e iraquianos, e iniciada com disparos de artilharia e ataques aéreos.

Há meses, a cidade era uma espécie de zona proibida para os militares norte-americanos.
Um estado de sítio durante a noite foi imposto pelas forças americanas. Segundo moradores, atiradores de elite se posicionaram nos pontos mais altos dos prédios, intimidando moradores que não se arriscaram a ir à rua, apesar de centenas deles terem tentado escapar da cidade na sexta-feira. O abastecimento de água e luz foi cortado.

As forças norte-americanas anunciaram em um comunicado neste sábado que as Forças de Segurança Iraquianas estão protegendo o hospital de Samarra e que uma equipe de 70 voluntários iraquianos chegou de Tikrit, que fica 75 quilômetros ao Norte para ajudar a lidar com os inúmeros feridos.

As forças americanas prometeram arrebatar todas as áreas rebeldes antes do fim do ano para que as eleições possam acontecer em janeiro. O ministro da Defesa iraquiano disse que a ofensiva poderia começar em outubro e Samarra parecia ser o primeiro passo.

Nas operações de sexta-feira, as forças lideradas pelos EUA disseram que mataram mais de 100 guerrilheiros em ataques aéreos e combates no chão, enquanto outros 35 insurgentes, aproximadamente, foram capturados, 25 deles no interior da Mesquita Dourada, um reverenciado e antigo santuário xiita.

As forças iraquianas invadiram a mesquita para afastar qualquer repúdio dos residentes em virtude da presença de americanos em solo sagrado. A captura da mesquita foi um ataque tático para impedir e prevenir que rebeldes se agrupassem lá, como fizeram em Najaf por semanas.
Bem como Samarra, uma cidade de cerca de 100 mil habitantes, as cidades de Falluja e Ramadi, a Oeste de Bagdá, também deverão ser tomadas, da mesma forma que várias áreas da capital, como o bairro de Sadr.