EUA aumentam nível de alerta terrorista no país para ‘laranja’

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Publicado terça-feira, 20 de maio de 2003 as 18:18, por: cdb

Citando a possibilidade de os Estados Unidos voltarem a sofrer um atentado de grandes proporções, o Departamento de Segurança Interna decidiu, nesta terça-feira, aumentar o nível de alerta terrorista em todo o país, de “elevado” para “alto”, ou “laranja”.

Os indícios de que o governo de Washington estaria prestes a reforçar o alerta surgiram pela manhã, quando o chefe da Polícia de Nova York revelou que a segurança feita por agentes à paisana havia sido aumentada em locais freqüentados por multidões – como as estações de metrô – devido a uma advertência do FBI sobre a possibilidade de novos ataques terroristas nos Estados Unidos.

A iniciativa foi descrita pelo dirigente, Ray Kelly, como uma precaução, uma vez que, segundo afirmou à imprensa, a cidade de Nova York em si não recebeu ameaças.

Ainda assim, Kelly decidiu destacar mais policiais à paisana para a patrulha em estações de metrô, pontes e outras áreas sensíveis. Por uma questão de estratégia, o chefe de Polícia esquivou-se de informar, com precisão, quantos homens estão sendo mobilizados.

Nova York é a única cidade norte-americana onde o nível de alerta terrorista é mantido permanentemente em “laranja” desde os atentados que pulverizaram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001.

Também nesta terça-feira, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, indicou um novo chefe para a Seção de Contra-Terrorismo do Departamento de Polícia de Nova York.

Trata-se de Mike Sheehan, que terá a seu dispor 1.000 oficiais para os esforços de prevenção de atos terroristas.

Alerta laranja

Nos Estados Unidos, o alerta terrorista tem cinco níveis: verde (baixo), azul (cauteloso), amarelo (elevado), laranja (alto) e vermelho (grave).

O nível laranja considera alto o risco de ocorrerem ataques terroristas e incorpora novas medidas de prevenção às já em vigor – entre estas, destacam-se o treinamento de policiais para situações de emergência, o monitoramento de atividades suspeitas e a elaboração de planos de socorro.

A partir de agora, as autoridades devem preocupar-se também com:

– A coordenação, com as Forças Armadas e órgãos de segurança, dos esforços necessários para responder a situações de emergência;

– A adoção de precaução extra em acontecimentos e locais públicos;

– Estar de prontidão para trabalhar em locais alternativos com um contingente reduzido e limitar o acesso apenas ao pessoal essencial.

O anúncio do reforço da segurança em Nova York e do novo alerta terrorista aconteceu horas após o Departamento de Estado norte-americano ter determinado o fechamento provisório da embaixada do país e de dois consulados na Arábia Saudita.

A medida é mais uma resposta de Washington aos atentados que mataram 25 pessoas em Riad, na semana passada, e que visaram prédios habitados por estrangeiros.

Tagarelice

Por sua vez, um destacado integrante da Comissão de Inteligência do Senado contou que uma crescente “tagarelice eletrônica” vêm indicando a iminência de uma ação terrorista.

Na semana passada, o FBI, em um memorando, já havia advertido os órgãos norte-americanos de segurança, bem como outros no exterior, sobre a intensificação dos receios com novos atentados.

“A comunidade de inteligência dos Estados Unidos avalia como prováveis ataques contra alvos norte-americanos e ocidentais no exterior. Ataques nos Estados Unidos não podem ser descartados”, dizia o comunicado.

Outras autoridades norte-americanas corroboraram a versão sobre a possibilidade de terroristas estarem planejando um grande ataque dentro dos Estados Unidos.

O FBI avisou a autoridades policiais municipais e estaduais que as explosões na Arábia Saudita, bem como no Marrocos, que deixou 42 mortos na última sexta-feira (16), “podem ser um prelúdio para um ataque nos Estados Unidos”.

Entretanto, algumas autoridades admitem que é difícil distinguir ameaças verídicas de blefes durante a monitoração