EUA armam ofensiva em Tikrit

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Publicado segunda-feira, 17 de novembro de 2003 as 11:45, por: cdb

Soldados norte-americanos realizaram ataques com morteiros e tanques contra um suspeito esconderijo de guerrilheiros na cidade de Tikrit, onde nasceu Saddam Hussein, depois da divulgação de uma suposta mensagem do ex-ditador iraquiano.

Soldados da 4ª. Divisão de Infantaria espalharam-se pela cidade e o chão tremeu quando os projéteis atingiram o local de onde, segundo as forças norte-americanas, guerrilheiros disparavam contra a base dos EUA na cidade.

“Para nós, isso não foi uma demonstração de força. Queremos derrotar o inimigo”, afirmou o tenente-coronel Steve Russel, do Batalhão 1-22, envolvido na ação. “A mensagem é: ‘Desistam, acabou’.

As forças norte-americanas que ocupam o Iraque adotaram novas táticas, mais duras, depois das ações mortais da resistência e da derrubada de vários helicópteros dos EUA.

Na noite de sábado, dois Black Hawks colidiram e caíram na cidade de Mosul (norte), matando 17 soldados e ferindo cinco.

O desastre foi o incidente individual com maior número de vítimas a envolver soldados dos EUA no Iraque desde o começo da invasão, em março.

O canal de tv Al Arabiya divulgou no domingo uma fita de áudio supostamente com a voz de Saddam. Na fita, um homem exortava os iraquianos a expulsar as forças de ocupação do país.

– Lutar contra eles é um dever legítimo, patriótico e humanitário. Os ocupantes não têm outra opção se não deixar nosso país – afirmou.

O presidente norte-americano, George W. Bush, minimizou a importância da fita em declarações a repórteres em Washington.

“Não vi os detalhes. Acho que se trata da mesma coisa de sempre. Vocês sabem, trata-se de propaganda e nós não sairemos de lá até termos completado nossa tarefa.”

Junto com sua postura militar, o governo norte-americano mudou sua estratégia política e agora pretende transferir o poder para os iraquianos antes mesmo de uma nova Constituição ser aprovada e de serem realizadas eleições.

No sábado, o Conselho de Governo do Iraque, cujos membros foram escolhidos pelos EUA, anunciou que a ocupação terminará formalmente no final de junho de 2004. Depois disso, um governo de transição iraquiano assumirá.

As forças norte-americanas devem, porém, continuar no país para além dessa data.