EUA ainda podem ganhar a confiança dos iraquianos, diz Ghabra

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Publicado domingo, 6 de abril de 2003 as 08:26, por: cdb

Os Estados Unidos ainda podem ganhar a confiança dos iraquianos se cuidarem do povo durante a guerra, mas vão ter de revisar muitas políticas em relação ao mundo árabe para conseguir uma aliança duradoura com a região.

A opinião é do presidente da Universidade Americana do Kuwait, Safeeq Ghabra.

“Os americanos podem sim ganhar os ´corações e mentes` dos iraquianos dia a dia, semana a semana, ajudando e alimentando a populacão durante a guerra. Mas é claro que existe uma grande falta de confiança do mundo árabe em relação aos americanos”, avalia o cientista político.

Problemas

Entre as causas mais recentes desta desconfiança, o professor cita a falta de apoio aos levantes que os muçulmanos xiitas tentaram contra Saddam Hussein em 1991, ao fim da Guerra do Golfo, e a manutenção dos mais de dez anos de sanções contra o Iraque, que prejudicaram mais o povo do que o presidente.

Ghabra concorda que o apoio americano a Saddam Hussein durante décadas também fez muito mal para a imagem dos Estados Unidos entre os povos do Oriente Médio, mas faz questão de lembrar que governos de muitos países árabes tiveram durante anos a mesma posição.

“Assim como os Estados Unidos, países como a Jordânia, o Kuwait e a Arábia Saudita apoiaram Saddam Hussein e, atualmente, todos se viraram contra ele”, diz.

Ajuda

Mas Ghabra diz que os Estados Unidos também tomaram atitudes nos últimos anos que ajudaram países árabes ou muçulmanos de fora da região.

“Os americanos liberaram o Kuwait quando Saddam nos invadiu, e, nos Bálcãs, os ataques à Iugoslávia aconteceram para ajudar os muçulmanos do Kosovo”, lembra.

O professor observa, no entanto, que antes de tudo é essencial que o Ocidente estabeleça uma nova e consistente política para resolver o conflito árabe-israelense.

“Este é de longe o tema que mais provoca desconfiança em relação aos Estados Unidos”, diz.

Democracia

Outro ponto citado pelo professor é o futuro do Iraque depois da guerra.

Considerando uma vitória americana, Ghabra diz que os Estados Unidos têm de se esforçar muito para mostrar a disposição de ajudarem os iraquianos a construir uma sociedade verdadeiramente democrática e baseada nos interesses do próprio país.

Para o cientista politico, é perfeitamente possível criar democracias no Oriente Médio, mesmo com orientação religiosa, como querem importantes grupos em muitos dos países árabes.

“O Irã é uma teocracia que tem problemas, mas também tem instituições que estão aos poucos evoluindo para a democracia”.

No entanto, Ghabra concorda que dificilmente os americanos aceitariam outra república islâmica seguindo o modelo iraniano no Iraque, onde há, como no Irã, uma maioria xiita.

“Mas também não acredito que os xiitas iraquianos desejem a criação de uma sociedade teocrática. Apesar dos diferentes grupos étnicos e religiosos, existe um identidade iraquiana e o povo quer construir um país levando esta identidade comum em consideração”, disse.