EUA acusam Blix de omitir aparelho em relatório

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 08:44, por: cdb

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha pretendem pressionar o chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, a admitir que sua equipe encontrou no território iraquiano um avião não tripulado – um achado que poderia ser a prova para justificar um ataque ao Iraque, informou o diário britânico The London Times.

O aparelho não foi incluído no relatório entregue por Blix ao Conselho de Segurança, na semana passada, mas consta de um documento secreto que circulou entre os inspetores, na sexta-feira.

Comentando a notícia, o porta-voz da Comissão de Vigilância, Verificação e Inspeção da ONU (Unmovic) em Bagdá, Ewen Buchanan, informou que o avião está sendo examinado.

“Ainda não pudemos verificar se ele pode voar a mais de 150 quilômetros por hora ou se pode ser usado para disseminar armas biológicas”, explicou Buchanan, garantindo que Blix se referiu brevemente a “uma avião guiado à distância”, em seu relatório ao CS.

O anúncio dessa descoberta seria um importante instrumento de pressão sobre os países indecisos numa votação, no Conselho de Segurança da ONU, de uma resolução dando um ultimato ao Iraque e justificando o uso da força contra o país.

“É incrível. Essa informação terá um impacto claramente definitivo sobre as pessoas que estão hesitantes”, disse um diplomata americano, sob anonimato.

Outro jornal, o diário americano The New York Times, informou que os inspetores acharam um novo tipo de foguete, supostamente apto a espalhar agentes bioquímicos em uma ampla região.

Segundo as fontes do NYT, a peça se encaixa na categoria de arma de fragmentação e poderia ser enquadrada como arma proibida pelas resoluções da ONU, mas não foi mencionada por Blix em seu informe ao CS.

Violação da lei

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, advertiu, em Haia, na Holanda, os Estados Unidos de que o país estará em violação da carta das Nações Unidas se atacar o Iraque sem a aprovação do Conselho de Segurança.

“Todo o mundo concorda na necessidade de desarmar o Iraque”, disse Annan. “Não existem divisões, nem margem para dúvida ou postergação” sobre o objetivo de acabar com as armas de destruição em massa do Iraque. Mas Annan advertiu que uma ação militar sem a autorização da ONU seria ilegítima. “A legitimidade e o apoio para qualquer ação do tipo seriam seriamente debilitados”.

“Se os Estados Unidos e outros forem em frente desviando-se do conselho e assumir uma ação militar, não será em conformidade com a carta (da ONU)”, afirmou.

Washington tem argumentado que resoluções anteriores do Conselho de Segurança oferecem suficiente base legal para uma ação militar contra o Iraque.

Annan afirmou que o mundo quer uma solução pacífica para a crise. “Existe uma preocupação generalizada sobre as conseqüências de uma guerra no Iraque”, lembrou. Uma guerra poderia criar instabilidade regional, impacto econômico negativo e conseqüências involuntárias produzindo novas ameaças e novos perigos”.

Annan chegou neste segunda-feira à Holanda para a cerimônia de inauguração, de terça-feira, do Tribunal Penal Internacional, apoiado por 89 países para julgar crimes de guerra cometidos em qualquer lugar do mundo. Os EUA vêm se opondo ao funcionamento do tribunal.