EUA aceitam participação da Rússia na reconstrução do Iraque

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Publicado quinta-feira, 10 de abril de 2003 as 12:06, por: cdb

Os Estados Unidos deram as boas-vindas à Rússia para participar da reconstrução do Iraque, mas já avisaram que o futuro Governo iraquiano é que decidirá qual fatia desse bolo caberá aos russos, declarou esta quinta-feira o embaixador norte-americano em Moscou, Alexander Vershbow. O diplomata dos Estados Unidos disse em entrevista ao diário digital Gazeta.ru, nesta quinta, que a decisão sobre os participantes na restauração do Iraque será adotada imediatamente depois da formação da nova Administração iraquiana.

Os EUA transferirão o controle do Iraque a uma Administração interina “criada sobre os princípios de uma ampla e plena representação” e esse Executivo atuará “até que se forme um governo permanente, o que deverá acontecer o mais rápido possível”. Sobre os interesses da Rússia no Iraque (onde Moscou tinha contratos multimilionários com Bagdá que definiram durante meses sua postura contrária à guerra), Vershbow disse que Washington é favorável a que a Rússia participe da reconstrução iraquiana.

Os “EUA pretendem continuar sua associação com a Rússia e desenvolver a cooperação bilateral apesar das profundas divergências existentes em torno do Iraque”, salientou Vershbow conciliador, no mesmo tom empregado há poucos dias pelo presidente russo, Vladimir Putin. Conforme o embaixador norte-americano, os “EUA querem discutir o futuro do Iraque do pós-guerra com a Rússia para solucionar os problemas de caráter humanitário e cooperar numa reconstrução racional do país depois do conflito”.

Moscou já destacou sua assistência humanitária para possíveis refugiados iraquianos no Irã, ajuda que poderia agora ser dirigida ao leste iraquiano, mas a principal incógnita reside no destino dos planos de exploração de petróleo russos em jazidas dos arredores de Basra, Kirkuk e no deserto ocidental. A Rússia era também o principal beneficiário do programa “petróleo por alimentos” das Nações Unidas, criado depois da primeira Guerra do Golfo, para aliviar a situação de carência provocada pelas sanções internacionais no Iraque, e Bagdá devia cerca de 8 bilhões de dólares a Moscou desde os tempos soviéticos.

Sobre as empresas petroleiras russas, que agora vêm em perigo seus numerosos investimentos e seus ainda maiores contratos, Vershbow declarou que “o novo Governo iraquiano se preocupará muito com as companhias estrangeiras de petróleo, para que sua produção interna se expanda o mais rápido possível, a fim de que se recupere o a qualidade de vida de antigamente”.