Estudos de psicóloga reacendem discussão sobre a importância de umas boas palmadas

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Publicado domingo, 26 de agosto de 2001 as 15:55, por: cdb

Uma psicóloga conhecida por seus estudos muito respeitados sobre estilos autoritários, moderados e permissivos de criação, argumenta com base em uma análise de dados de um estudo de longo prazo realizado com mais de 100 famílias, que uma palmada ocasional, quando dada no contexto de uma boa educação, não é prejudicial

Quando se trata de criar filhos, nenhum debate é mais contencioso – ou duradouro – do que a questão sobre as surras.

O assunto que discute se a palmada é um método aceitável de disciplina confunde os pais, divide os pediatras e cria grupos apaixonados contra as surras e a favor delas.

Opositores como Murray Straus da Universidade de New Hampshire culpa as surras por doenças como a depressão, a delinqüência juvenil, violência contra o cônjuge e debilidade da capacidade mental. Os defensores do “amor rígido” como James Dobson, um psicólogo cristão conservador, aconselha que “as surras devem ser fortes o suficiente para fazer com que a criança chore de verdade.”

E uma conferência realizada sexta-feira no encontro anual da Associação Americana de Psicologia em San Francisco parece ampliar ainda mais este debate. Na conferência, Diana Baumrind, uma especialista em desenvolvimento infantil da Universidade da Califórnia em Berkeley, afirmou que os cientistas sociais invalidaram as evidências de que as surras causam danos às crianças.

“O caso científico contra o uso de castigos físicos normativos é uma barreira frágil, não um edifício sólido,” disse a cientista.

Baumrind, uma psicóloga conhecida por seus estudos muito respeitados sobre estilos autoritários, moderados e permissivos de criação, disse que não era a favor das surras. Mas argumenta que uma palmada ocasional, quando dada no contexto de uma boa educação, não é prejudicial.

Baumrind sustenta que os estudos citados por pessoas que são contra o castigo corporal não distinguem adequadamente os efeitos das surras praticadas por pais conscientes do impacto da violência física nas crianças. E também não consideram outros fatores que podem contribuir para problemas mais tarde, como por exemplo se os pais rejeitam a criança ou se crianças agressivas podem estar mais propensas a apanhar.

Baumrind descreveu as descobertas de sua própria pesquisa, uma análise de dados de um estudo de longo prazo realizado com mais de 100 famílias, indicando que surras leves e moderadas não tinham efeitos prejudiciais quando os fatores eram devidamente separados. O estudo baseado em dados do Projeto de Socialização Familiar e Competência Desenvolvida, que acompanhou famílias na região de Berkeley por 12 anos, desde o primeiro ano de escola das crianças até que se tornaram adolescentes.

Straus, que assistiu à conferência, elogiou o estudo, mas disse que as descobertas não mudavam sua visão de que as surras são prejudiciais. “Não existem provas absolutamente conclusivas, somente evidências muito fortes, e também há provas de que outros métodos funcionam muito bem,” disse Straus.