Estudo de casos: terrorismo e homossexualismo

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Publicado quinta-feira, 27 de dezembro de 2001 as 19:55, por: cdb

Desde 11 de setembro muitos americanos têm tentado encontrar um sentido para o que levou Mohamed Atta e seus cúmplices a lançarem seus golpes mortais contra o World Trade Center e o Pentágono. Leitores e escritores têm vasculhado materiais sobre tudo – da história do islamismo ao lento ritmo da globalização no Oriente Médio.

Mas em meio a teorias concorrentes, uma provou ser particularmente sedutora. Começa, em voz baixa, com os picantes detalhes da educação de Atta: como ele ficou na barra da saia da mãe até o colegial, como seu pai o aconselhou, “Enrijeça, menino” e acusou sua mulher de criar seu filho “como uma menina”.

Isso é reforçado pelas fotos familiares de Atta: uma do jovem Mohamed, com braços delgados contorcendo-se como uma cobra ao redor de sua irmã, ou em outra, com a face lânguida e prestativa olhando para sua mãe, e com sua estrutura delicada frente à pose angustiada de seu pai.

Informações do St. Petersburg Times para a National Review notam que Atta era “frágil”, “meticuloso”, “vestia-se com aprumo” e que seu co-conspirador, Ziad al-Jarrah, era ‘magro, bem barbeado”. Atta evitava mulheres – até em sua morte. (Seu testamento deixou instruções estritas de que ninguém deveria presenciar seu funeral).

A revista Time observa que ele vivia em uma casa cor-de-rosa. Para leitores incapazes de decifrar os pormenores, O National Enquirer torna tudo claro como o dia: “O terrorista do World Trade Center Mohamed Atta e vários de seus cúmplices sangrentos levaram vidas gays durante anos”.

Lendo essas histórias de casos, me lembrei daquele episódio de Seinfeld no qual todos pensam que Jerry é gay porque ele é frágil e polido (não que haja algo errado com isso). Mas esse tipo de “psicobalbucio” político tem uma genealogia mais longa.

Durante a Guerra Fria, os “red-hunters” adoravam explorar a escuridão das vidas radicais, particularmente quando isso rendia um pedaço suculento de problemas de gênero. Joe McCarthy chamou Dean Acheson – não comunista, mas um democrata confirmado – de “Red Dean da Moda”.

Um perfil psicológico publicado por J. Edgar Hoover e pelo presidente Eisenhower explicava, em ‘burocatrês” desesperançoso, “que a tendência parece ser que em casamentos comunistas a mulher é o parceiro mais dominante”. Earl Browder, líder do Partido Comunista Americano, foi descrito como “submisso”. E então houve os Rosenbergs, talvez o casal mais confuso desde Samson e Delilah: “Julius é o escravo e sua mulher, Ethel, o senhor”.

Mas foi necessária a máquina de sonhos Tecnicolor de Hollywood para realmente colocar os pingos nos is. Em “My Son John”, o texto original do marcathismo sexualizado, um efeminado Robert Walker faz seu caminho através de cada cena, arrolhando para sua mãe, interpretada por Helen Hayes.

Enquanto isso seu pai, um legionário americano, golpeia qualquer masculinidade remanescente que o menino poderia ter salvado dos cuidados de sua mãe. Finalmente, Walker vai para a faculdade e encontra alívio principalmente no Partido Comunista.

Quando Hayes o enfrenta a respeito de suas tendências, ela sugere que se ao menos ele tivesse jogado futebol como seus irmãos, seus dois “jogadores guerreiros” na Coréia, ele poderia ter poupado essa perversão política.

Implorando para que ele busque ajuda do FBI – “Me ouça, John, você tem que entrar neste jogo, e você tem que dominar a bola sozinho… Pegue a bola, John!” – ela lança uma aclamação final desesperada: “Meu filho John. Meu filho John. Meu filho John!”

Sexo como solvente universal do conflito político é uma fórmula atraente, em parte porque é, bem, sexy, e em parte porque é tão facilmente aplicado contra qualquer inimigo que possa surgir.

Oficiais e psicólogos da OSS, a precursora da CIA, estavam certos de que Hitler era um pouco pervertido, e nenhuma parte de anatomia ausente, nem mesmo o braço perdido da Vênus de Milo, atraiu tanta atenção quanto sua alegada falta de um testículo. Mesmo historiadores sérios como L