Estudo dá aval à gravidez na pós-menopausa

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Publicado quarta-feira, 13 de novembro de 2002 as 21:02, por: cdb

Entre 1991 e 2001, a Universidade do Sul da Califórnia realizou o maior de todos os estudos sobre a maternidade depois da menopausa. O resultado mostra que mulheres saudáveis, depois dos 50 anos, embora tenham idade bastante para serem avós, não encontram empecilhos de ordem médica para terem filhos com óvulos doados.

O estudo, que será publicado esta semana no Journal of the American Medical Association, diz que mesmo problemas como hipertensão, diabetes gestacional e a propensão a partos de cesariana não são motivos suficientes para estas mulheres deixarem de tentar engravidar.

Os índices de gravidez, parto e nascimentos múltiplos mostraram-se semelhantes aos das mulheres 10 anos mais jovens que engravidam também com óvulos de doadoras.

Os pesquisadores estudaram resultados de 77 mulheres na pós-menopausa que participaram do programa de reprodução assistida da Universidade do Sul da Califórnia ao longo de 10 anos. Das 77 mulheres, 42 tiveram bebês.

“Estamos tendo nossos próprios netos – nós só pulamos a parte dos filhos”, brincou Marilyn Nolen, de 58 anos, participante do estudo que teve meninos gêmeos aos 55, usando óvulos de uma mulher de pouco mais de 20 anos.

Treinadora de vôlei feminino na Universidade de St. Louis, Nolen sofreu alterações na pressão arterial e precisou ser submetida a uma cesariana, mas não se arrepende.

Nolen e o marido passaram 10 anos tentando ter filhos e optaram pelo uso de óvulos doados quando ela entrou na menopausa. A fertilização funcionou na primeira tentativa. “Para nós, é simplesmente um sonho que se tornou realidade”, disse Marilyn Nolen.

Há quem diga que não é ético permitir a gravidez de mulheres que podem não viver para ver seus filhos crescerem. O comitê de ética da Sociedade Americana para Medicina Reprodutiva diz que o uso de óvulos de terceiras para engravidar mulheres na pós-menopausa deve ser desencorajado.

Mas o Dr. Richard Paulson, principal autor do estudo e diretor do programa de reprodução assistida da Universidade do Sul da Califórnia, alega que negar a estas mulheres a chance de engravidar seria um preconceito com a idade delas.

“Eu não tenho um problema apenas permitindo que elas engravidem. Eu teria um problema ético se lhes negasse isso”, afirmou.

Fenômeno crescente?
O estudo destaca um fenômeno que vem se tornando crescente, embora os especialistas digam que o número de mulheres na pós-menopausa que tentam engravidar com óvulos doados seja pequeno.

Em 2000, houve 255 nascimentos nos Estados Unidos com mães de 50 a 54 anos, contra 174 registrados em 1999, segundo os dados mais recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

O CDC não mantém estatísticas sobre partos de mulheres com mais de 54 anos.

A especialista em bioética Roberta Springer Loewy, da Universidade da Califórnia em Davis, diz que, devido ao estudo, provavelmente esse tipo de procedimento vai aumentar.

“Infelizmente, a medicina é tratada cada vez menos como uma utilidade pública e mais e mais como fosse apenas mais uma comodidade”, sustenta. “Simplesmente porque descobrimos que podemos e queremos fazer uma coisa não significa que devemos fazê-la”.

Os índices de gravidez no estudo – 45 por cento – e de nascimentos múltiplos – 30 por cento – foram semelhantes aos de mulheres mais jovens que engravidaram com óvulos doados. O mesmo deu-se com o índice de nascimentos – cerca de 37 por cento. Não houve registro de mortes de bebês nem das mães.

A pré-eclâmpsia, condição potencialmente grave relacionada à hipertensão gestacional, foi registrada em 35 por cento das mulheres. Já os casos de diabetes chegaram a 20 por cento. Esses índices são pelo menos duas vezes mais altos do que os observados em mulheres mais jovens.

Cerca de 78 por cento das mulheres foram submetidas a cesarianas.

O Dr. Richard Paulson disse que todos esses fatores podem ser controlados do ponto de vista médico e que não são motivos para evitar a gravidez.

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