Estudiosos afirmam que aborto não aumenta o risco de câncer de mama

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Publicado segunda-feira, 10 de março de 2003 as 11:16, por: cdb

Não há provas de que uma mulher que sofreu um aborto corra um risco maior de apresentar câncer de mama anos depois, informaram especialistas do National Cancer Institute (NCI), dos Estados Unidos.

A pergunta agora é quando o NCI atualizará os dados sobre o assunto em sua página na Internet, a qual diz que esse assunto não está totalmente esclarecido.

“A atualização será feita em breve”, disse uma porta-voz do NCI, na sexta-feira passada.

Até o ano passado, os dados no site do NCI diziam que, aparentemente, não havia relação entre o aborto e o câncer de mama.

Mas, em novembro, após queixas de grupos contra o aborto e membros do Congresso dos Estados Unidos, o NCI substituiu sua informação às pacientes com a indicação atual, causando confusão e levando especialistas de fora do instituto a rever os dados.

No começo da semana passada, o NCI publicou, discretamente, a conclusão desses especialistas em seu site.

“A indução do aborto não está associada ao aumento do risco de câncer de mama”, disse o NCI. “Nem abortos espontâneos”.

A polêmica apareceu com o surgimento de alguns estudos no começo da década passada, sugerindo alguma relação entre o aborto e o câncer de mama.

Mas, os conselheiros do NCI analisaram estudos realizados desde 1995 até agora e não encontraram relação alguma, além de apontar falhas nas pesquisas anteriores, segundo o dr. Robert Hoover, do NCI.

Entre as melhores evidências está uma pesquisa realizada na Dinamarca, que utilizou prontuários médicos computadorizados para comparar os dados de mulheres que tiveram abortos com o registro de câncer do país e não encontrou aumento algum na incidência da doença, disse Hoover.

O corpo reage a uma gravidez interrompida da mesma maneira, seja um aborto induzido ou espontâneo, segundo os especialistas.

Os conselheiros do NCI também estudam como a gravidez em geral interfere no risco de câncer de mama e reafirmaram o seguinte:

Mulheres que dão à luz bebês que completaram os nove meses de gestação ainda bem jovens diminuem o risco de câncer de mama.

Mulheres que nunca deram à luz correm quase o mesmo risco de apresentar câncer de mama que uma mulher que se torna mãe pela primeira vez perto dos 30 anos.

O aleitamento materno também diminuiu o risco de câncer de mama.