Estudantes reúnem-se com Dilma e cobram mais verba à educação

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Publicado quarta-feira, 31 de agosto de 2011 as 22:49, por: cdb

Estudantes reúnem-se com Dilma e cobram mais verba à educação Movimento estudantil cobra de Dilma Rousseff que amplie investimentos em educação destinando ao setor 10% do PIB e metade dos recursos do pré-sal. Pauta foi entregue à presidenta após marcha de milhares de estudantes encerrar “agosto verde e amarelo”. Mais cedo, manifestantes protestaram na porta do Banco Central exigindo redução dos juros.

Najla Passos – Especial para a Carta Maior

BRASÍLIA – Dirigentes de entidades que representam estudantes de diferentes níveis reuniram-se com a presidenta Dilma Roussef, nesta quarta-feira (31/8), para entregar uma pauta de reinvindicações. As duas bandeiras principais do movimento são a destinação, à educação, de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e de 50% dos recursos do fundo social do pré-sal.

Mas os estudantes também cobram o fim do analfabetismo até 2016, a garantia de recursos para a conclusão das obras do REUNI (o programa de expansão universitária do governo federal), o reajuste imediato nos valores das bolsas para pós-graduação e a ampliação dos Institutos federais, entre outros.

“A presidenta não se pronunciou pontualmente sobre cada um dos os 43 itens da nossa pauta, mas determinou que os ministros Fernando Haddad (Educação) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), presentes a reunião, ficassem responsáveis por nos dar uma resposta mais efetiva, em médio prazo”, disse o presidente da UNE, Daniel Iliescu. “Ela demonstrou particular simpatia pela nossa reivindicação de que metade do fundo social do Pré-sal seja destinado à área.”

A reunião dos estudantes com Dilma, no Palácio do Planalto, ocorreu após uma marcha deles na Esplanada dos Ministérios. O ato encerrou um uma jornada de manifestações batizada de “Agosto Verde e Amarelo” pelos organizadores: a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG).

O protesto reuniu 20 mil pessoas, segundo os organizadores, e 5 mil, nos cálculos da Polícia Militar.

Além das pautas específicas do movimento estudantil, o protesto também fez reinvindicações no campo econômico. Os estudantes cobraram a queda da taxa de juros do Banco Central, o fim do superávit primário e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário.

Contra os juros altos
Os estudantes iniciaram o protesto na manhã desta quarta-feira (31/08) com a lavagem da escadaria de acesso ao Banco Central, onde, mais tarde, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reuniria para decidir o futuro da taxa de juros. “A luta pela redução dos juros é uma bandeira histórica dos movimentos brasileiros que a UNE sempre apoiou”, justificou o líder estudantil.

De lá, partiram em passeata pela Esplanada dos Ministérios, encerrada em frente ao Congresso Nacional, em um ato que reuniu lideranças dos movimentos sociais e sindicais, além de parlamentares e representantes de organizações estudantis da Argentina e do Chile.

A presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh), Camila Villejo, que ganhou notabilidade internacional ao comandar as mobilizações de massa que vêm sacudindo àquele país há três meses, compareceu ao protesto “para demonstrar a solidariedade do povo chileno às bandeiras de luta dos estudantes brasileiros”.

Na Câmara dos Deputados, os estudantes participaram de uma sessão especial da Comissão de Direitos Humanos e Minorias em solidariedade à luta do povo chileno. “O governo do Chile tem violado os direitos fundamentais da população. Por isso, a nossa luta hoje não é mais uma demanda setorial dos estudantes, mas de toda a sociedade”, denunciou Camila aos vários deputados presentes.

As lideranças estudantis encerraram a atividade entregando a pauta de reivindicações ao presidente da Câmara, deputo Marcos Maia (PT-RS), pouco tempo antes do plenário da
Casa aprovar o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que visa ao aumento da oferta de cursos profissionalizantes para estudantes do ensino médio.

Fotos: A presidenta Dilma Rousseff, acompanhada dos ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e Fernando Haddad ( Educação), recebe representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Palácio do Planalto (José Cruz – ABr)