Estudantes protestam contra ‘ditadura’ na Geógia

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Publicado quinta-feira, 27 de novembro de 2003 as 12:14, por: cdb

Milhares de estudantes georgianos fecharam nesta quinta-feira, a avenida central de Tbilisi e denunciaram a “ditadura” imposta pela Administração interina nacionalista que derrubou há poucos dias o presidente Eduard Shevardnadze.

Os estudantes protestavam contra a demissão do reitor da Universidade de Tbilisi, Roín Metreveli, e do decano da Faculdade de Jornalismo, Nugzar Popjadze, por causa das pressões de grupos ultranacionalistas sobre as autoridades universitárias.

Os mais de 4 mil jovens começaram a se reunir nesta quarta-feira à noite em frente aos portões da Universidade Estatal e centenas deles se enfrentaram com um numeroso grupo de radicais a favor dos grupos que tomaram o poder na Geórgia nos últimos dias.

Vários estudantes se dirigiram em automóveis ao edifício do Parlamento, onde, em uma sessão extraordinária convocada pela presidente interina, Ninó Burdzhanadze, os parlamentares têm previsto fixar a data das novas eleições parlamentares.

Os estudantes exigiram se reunir com Burdzhanadze e com Mikhail Saakashvili, líder da revolta popular que forçou Shevardnadze a renunciar no domingo é também o único candidato dos partidos que atualmente estão no poder às eleições presidenciais do próximo dia 4 de janeiro.

Os manifestantes pediam o retorno de Metreveli e Popjadze aos seus cargos e o fim das ações da “Kmara”, uma organização de perfil ultra-nacionalista à qual acusam de se tornar uma “guarda de ataque” do Movimento Nacional de Saakashvili.

Nesta quarta-feira à noite aconteceu um grave confronto entre os estudantes e jovens militantes da “Kmara” no salão de atos da Universidade depois que aqueles se manifestaram contra a renúncia de seu reitor.

A própria presidente Burdzhanadze teve que se dirigir à universidade para convencer os estudantes a pararem o protesto e pedir, sem sucesso, que Metreveli assumisse novamente seu cargo.

Unidos em um “Comitê de Salvação da Universidade” junto com cerca de 250 professores e os funcionários da instituição, os estudantes enviaram hoje um ultimato à nova Administração de Tbilisi.

Os estudantes ameaçaram convocar greves de fome e abandonar suas carreiras caso não haja a confirmação em seus antigos cargos dos professores e autoridades que foram demitidos sob pressão e se não for garantida a não intromissão nos assuntos universitários de forças alheias à instituição.