Estudantes podem ter descoberto identidade do “Garganta Profunda”

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 23 de abril de 2003 as 11:47, por: cdb

Depois de quatro anos de investigação e trinta anos depois de ocorrido o “escândalo de Watergate”, estudantes do Departamento de Jornalismo da Universidade de Illinois determinaram a identidade de “garganta profunda”, uma das fontes anônimas mais importantes da história do jornalismo.

Segundo eles, foi Fred Fielding, vice-conselheiro do ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, quem forneceu as informações sobre o escândalo de Watergate, entre 1972 e 1974.

Fielding está entre as pessoas mais respeitadas dos governos republicanos. Ele foi vice-assistente de Nixon e conselheiro-chefe de Reagan por cinco anos, membro do grupo transitório de Bush e Cheney e é hoje membro da Comissão Nacional de Ataques Terroristas.

Os estudantes chegaram a Fielding eliminando sistematicamente os candidatos que não correspondiam às pistas levantadas pelos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein em seu livro “Todos os homens do presidente”. Depois, com sete suspeitos, a classe tentou determinar quem teve acesso às informações fornecidas por “garganta profunda”.

Fielding trabalhou na Casa Branca durante os 18 meses que o
“garganta profunda” forneceu informações a Woodward.

Em 17 de junho de 1972, cinco homens entraram no escritório do Comitê Nacional do Partido Democrata, no hotel Watergate, em Washington, mandados pelo comitê de reeleição do presidente Nixon. Eles acabaram presos e, com eles, foram apreendidos microfones de escuta, filmes e câmeras fotográficas e gás lacrimogêneo.

O grupo deveria consertar o equipamento de escuta que já estava instalado no escritório concorrente, na tentativa de obter alguma prova que prejudicasse o candidato concorrente, o senador George McGovern.

Os aliados de Nixon negaram qualquer envolvimento, mas o jornal “Washington Post” conseguiu provas contrárias (sendo que um cheque de US$ 25 mil – originalmente destinado à campanha de Nixon – foi parar na conta de um dos espiões).

Nixon foi reeleito com 60% dos votos em 1972, mas, no ano seguinte, os assessores do presidente foram acusados de envolvimento com o caso Watergate. Em 1974 foi iniciado o processo de impeachment e Nixon acabou se tornando o primeiro presidente americano a renunciar.

Nunca se soube quem era o verdadeiro ‘garganta profunda’, mas entre os suspeitos já estiveram pelo menos outras sete pessoas: Pat Buchanan (assessor de Nixon); Mark Felt (ex-agente do FBI); Patrick Gray; Charles Bates (ex-diretor-assistente da divisão de investigações do FBI); David Gergen (assessor de Nixon); Robert Kunkel (ex-agente especial do escritório de investigações do FBI em Washington); e Ron Ziegler (ex-secretário de imprensa da Casa Branca).