Estudantes norte-americanos protestam contra a guerra

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Publicado quarta-feira, 5 de março de 2003 as 22:32, por: cdb

De Kennenbuk, no Maine, a Walla Walla, no estado de Washington, alunos secundaristas e universitários de todos os Estados Unidos aderiram, nesta quarta-feira, a uma grande manifestação estudantil contra uma possível guerra ao Iraque.

O protesto reuniu estudantes de 360 instituições, de acordo com a Coalizão Nacional Jovem e Estudantil pela Paz, que organizou o movimento.

Em um dos maiores protestos, alunos de cerca de 20 escolas da área da Filadélfia, na Costa Leste, marcharam até a sede da Prefeitura, onde realizaram um comício. Alguns participantes disseram apoiar a oposição ao Iraque, mas contestaram a maneira como o governo de George W. Bush está tratando Saddam Hussein.

“A democracia não vem das bombas e das balas”, gritou Bem Waxman, estudante do segundo grau de uma escola na Pensilvânia. “Vem da paz e dos protestos”.

Spencer Witte, um calouro de 20 anos na Universidade da Pensilvânia, tinha um motivo a mais para aderir à passeata de quase quatro quilômetros e ao comício.

Nascido no estado de Nova York, Witte perdeu amigos nos atentados de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center.

“Causar sofrimento desnecessariamente, em qualquer outro lugar, realmente me incomoda”, disse o rapaz, referindo-se aos planos de Bush para atacar o Iraque.

Witte explicou que decidiu, há meses, se juntar a protestos contra a guerra, após ver os rumos do governo de Bush.

Para o universitário, Saddam Hussein é um líder opressor, mas uma política de dissuasão, que mantenha os vôos de inspeção sobre as zonas de exclusão aérea no norte e no sul do Iraque, o aumento da ajuda humanitária e a continuidade das inspeções de armas seria muito mais eficiente do que o uso da força.

“O regime de Saddam é opressor, mas a questão não é essa”, sustentou o rapaz. “Já apoiamos ditadores no passado e continuamos a apoiá-los”.

Em Cincinnati, no estado de Ohio, um estudante que discursava congratulou Rússia, França e Alemanha por terem afirmado oposição à segunda resolução proposta pelos Estados Unidos na ONU, a qual poderá ser votada na próxima semana e abre caminho para uma ofensiva contra o Iraque.

“Isso dificulta nosso envolvimento em uma guerra idiota”, declarou o rapaz. “Estou exercendo meu direito, dado por Deus, de me levantar e dizer: ‘Não vamos fazer isso’. Não vou ficar calado e deixar que irmãos, irmãs, primos e amigos sejam massacrados no Oriente Médio”.

Também nesta quarta-feira, houve manifestações contra a guerra em diversas cidades da França.

O maior protesto foi verificado em Paris, que há 20 dias já havia organizado uma das maiores passeatas mundiais contra a posição de Bush, atraindo, na ocasião, mais de 200 mil pessoas.