Estudantes fazem novos protestos em Salvador

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 5 de setembro de 2003 as 09:43, por: cdb

Os estudantes voltaram a protestar contra o aumento das passagens de ônibus em Salvador. Nesta quinta-feira, às 16h, manifestantes bloquearam a saída da Estação da Lapa e tentaram impedir a passagem de carros particulares. A interrupção do trânsito durou duas horas.

De acordo com o jornal Correio da Bahia, os estudantes vão se reunir novamente hoje na Praça da Piedade, a partir das 10h. Um dos líderes do movimento, Murilo Arruda, 23, estudante de ciências sociais da Ufba, destacou a forma a importância do protesto. “O movimento é do estudante, não tem político nenhum aqui, não. Nem CUT, nem UNE, nem PCdoB. Inclusive, o acordo fechado na terça não teve representatividade exatamente por isso: a UNE e a Umes são aparatos a serviço de militantes do PCdoB infiltrados”, explicou.

Barreiras de estudantes também foram montadas na Avenida Manoel Dias da Silva, no cruzamento com a Rua Pará, na Avenida Otávio Mangabeira, sentido Aeroclube, e, em frente ao Shopping Iguatemi, onde a concentração reuniu, mais uma vez, um grande número de manifestantes. A novidade ficou por conta da participação dos professores no movimento e da reação da população, que começou a se posicionar contra os estudantes, promovendo buzinaços.

Na Avenida Manoel Dias da Silva, a barreira dos estudantes foi montada apenas para impedir que os ônibus passassem. De hora em hora, algumas linhas eram liberadas com passageiros idosos, crianças e mulheres. Os carros pequenos transitavam pelas duas pistas da esquerda, tornando o trânsito um pouco mais tranqüilo.

Para organizar o protesto e acompanhar a movimentação dos estudantes, alguns pais e professores permaneceram durante todo o tempo no cruzamento. “Estou aqui para acompanhar os meninos. Acho que eles estão dando uma lição de cidadania e nós, como professores, temos que estar juntos com eles, pois são esses garotos que, logo, estarão tomando as decisões do nosso país”, declarava o professor da escola Pedro Tenório, Denílson Moreira.

No bloqueio do Jardim de Alá os carros de passeio também eram liberados pelos estudantes. Alguns ônibus também foram liberados para levar os idosos. Para acalmar os ânimos dos motoristas que já estavam impacientes com o quinto dia útil de manifestação, os estudantes tentavam conversar para sensibilizá-los em benefício da causa que defendiam. Em resposta, os motoristas promoveram um buzinaço e exigiam que os estudantes liberassem a pista.