Estudante da Paraíba finge sequestro para chamar atenção

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 as 10:11, por: cdb

Depois de oito horas de depoimento numa delegacia de João Pessoa, na Paraíba, um estudante de 18 anos confessou que se encharcou de gasolina e forjou o seu próprio seqüestro para chamar atenção das autoridades sobre o problema do bullying escolar.

O estudante é o mesmo que ameaçou um colégio particular da cidade em setembro do ano passado, afirmando ser vítima “extrema” de bullying – prática na qual crianças e adolescentes são intimidados por colegas de maneira agressiva, com apelidos constantes e repetitivos.

A suposta armação foi feita pelo rapaz para convencer a polícia e o Ministério Público do Estado da Paraíba de que ele não estava envolvido na produção de três vídeos que foram divulgados no YouTube, em que eram feitas ameaças a alunos da escola particular da cidade _a mesma que foi alvo de ameaças em setembro.

O garoto confessou ter produzido sozinho os vídeos para simular que seria perseguido por um suposto grupo de alunos numa forma de vingança. A montagem leva a crer que o jovem era um dissidente do grupo e que o motivo do rompimento seria ter denunciado à polícia um plano do grupo de realizar um atentado (não-concretizado) na escola.

De acordo com o secretário da Segurança Pública do Estado da Paraíba, Eitel Santiago, o estudante praticou atos de terrorismo contra outros alunos e responderá pelos crimes de exposição de pessoas ao perigo, além de falsa comunicação de crime (ao forjar o seu seqüestro).

– Foi tudo uma simulação que foi feita com o propósito de aterrorizar outras pessoas do colégio em que ele estudava. Além disso, ao forjar o seqüestro, ele mobilizou todo um aparato policial desnecessariamente. Pedi rigor para o delegado na apuração do crime, a idéia é pedir a prisão preventiva dele, disse o secretário.

Segundo o promotor Alley Borges Scorel, que acompanha o caso desde o início, os pais do estudante ficaram surpresos com a confissão do filho, que segundo está em acompanhamento psicológico desde o ano passado.

O enredo com ares de tragédia foi descoberto pelas contradições do estudante durante seu depoimento à polícia, segundo o promotor Scorel, que já desconfiava do garoto desde quando o visitou em sua casa, na última sexta-feira, para começar a investigação a respeito dos vídeos que estavam na internet.

– Eu quis assistir os vídeos junto com ele. Em nenhum momento ele mostrou alguma reação, algum sentimento de medo, nada. Imagine só. Qualquer pessoa que se depara com uma ameaça daquele porte no mínimo se assustaria ou pediria proteção e isso não aconteceu, afirmou Scorel.

Como a polícia também estava no caso, o estudante teve de criar uma forma de tornar a farsa verossímil, armando a recente simulação de seqüestro. Ele algemou os pés, as mãos, amarrou um pano na boca, usou um gorro e ainda se encharcou de gasolina.

Segundo Scorel, o estudante ainda está muito perturbado por causa do bullying que sofreu na escola (seu apelido era chupeta de baleia) e ainda não se convenceu de que precisa de tratamento.

–É como um alcoólatra. Ele precisa querer se tratar. E com ele não está acontecendo isso. Ele quer chamar a atenção da sociedade porque sofreu medidas socioeducativas no ano passado e quem praticou o ato contra ele não sofreu nada. Na cabeça dele, isso ainda não acabou, disse.

Antes de o caso ser encerrado, o computador do rapaz ainda vai ser submetido à perícia da Polícia Federal para se comprovar que o vídeo do YouTube é de sua autoria. O jovem também vai ser submetido a exame de sanidade mental.