Estratégias e condições necessárias para a paz

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Publicado segunda-feira, 3 de março de 2003 as 18:00, por: cdb

Tentarei compartilhar com vocês a minha compreensão sobre “estratégias” e “condições necessárias” para a paz usando a única experiência de paz sobre a qual me baseio. Há centenas de dominicanos nos EUA e em todo o mundo que passaram muitos anos mais do que eu envolvidos em promover a paz, e que têm muito mais idéias sobre o que é preciso para criar “estratégias” e “condições necessárias” com o objetivo de promover maneiras pacíficas e democráticas para a resolução de conflitos. Meu único envolvimento sustentado e relativamente organizado em qualquer esforço para a promoção da paz tem sido minha experiência junto aos esforços dos dominicanos dos EUA com relação ao Iraque. Pelo que está acontecendo, parece que os meus amigos dominicanos e eu, aos olhos do mundo, pelo menos, estamos próximos ao fracasso.

Mesmo assim, em muitos outros níveis – pessoal, comunitário e espiritual – nunca considerarei minha parte neste momento histórico como um fracasso. Se eu não falhar aqui, hoje, tentarei compartilhar com vocês minha breve experiência de promoção da paz, e as condições necessárias para fazer a paz prevalecer. As condições são essas:

Imaginação
Relacionamento
Resistência
Amor
Acredito que a primeira condição necessária para a paz seja a habilidade de imaginar um mundo diferente, mais pacífico.

Em 1998, um pequeno grupo de irmãs dominicanas teve uma inspiração, depois de ter lido uma carta que o Mestre da Ordem dos Pregadores escreveu depois de sua visita ao Iraque, naquele ano. Foi uma inspiração que persistiu até que elas fizeram algo a respeito – e que, para muitas pessoas, ainda é inimaginável. Elas foram para o Iraque. Em 1999, elas saíram em surdina dos EUA, um pouco assustadas em romper publicamente com o embargo contra o Iraque imposto pela ONU e comandado pelos EUA, e que já durava 7 anos . Mas seus corações corajosos não permitiram que o medo dominasse. Em sua jornada, descobriram nossas irmãs e irmãos dominicanos, e correram para casa para nos contar a história. O que elas compartilharam liberou a imaginação de muitos dominicanos em todos os EUA, e nos levou ao ponto no qual nos encontramos: agora, nós dominicanos, em todo o mundo, estamos pregando para que o mundo todo ouça: “Temos família no Iraque: parem com essa marcha insensata em direção à guerra.” “We have family in Iraq: cease this senseless march to war.”

Aconteceram muitas coisas para os dominicanos dos EUA, desde a primeira delegação, “Voices for Veritas”:

Duas delegações adicionais visitaram o Iraque, em violação às leis das sanções da ONU, sob o risco de multas e encarceramento;
Duas irmãs dominicanas fizeram suas próprias jornadas corajosas e estão vivendo entre nós, nos EUA;
Quatro dominicanos jejuaram e oraram pela paz numa praça pública da cidade de Nova York durante o mês de setembro. Eles acenderam a imaginação dos dominicanos em todo o mundo, sendo que todos continuaram a jejuar e orar. Em cerca de uma dúzia de logradouros públicos, e em inúmeras residências e conventos, os dominicanos e seus amigos estão jejuando e rezando pela paz todas as sextas-feiras.
Eu rezo todas as sextas-feiras, na frente do velho Capitólio do Estado de Illinois, pouco distante do aposento onde Abraham Lincoln fez seu discurso histórico para pôr fim à escravidão. Cada sexta-feira, um homem chamado Brian, muito provavelmente descendente de escravos, junta-se a nós antes de ir ao trabalho. Ele não fica por muito tempo, mas nos encoraja, ajudando-nos a carregar os cartazes por alguns minutos. Enquanto esquentamos nossas mãos, ele nos esquenta o coração, com sua apreciação pela nossa fidelidade ao esforço. Estou certa de que histórias similares devem ser abundantes em locais de oração em todo o país.
Alguns dominicanos também se engajam em atos de desobediência civil, de modo a falar contra ulteriores agressões dos EUA ao povo do Iraque. A irmã dominicana Arlene Flaherty está entre os que serão julgados esta semana pelas ações empreendidas em dezem